5. “Pusherman”, por Curtis Mayfield em Superfly

 

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4. “Rawhide”, por Dan Aykroyd e John Belushi em Os Irmãos Cara de Pau

 

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3. “Man of Constant Sorrow”, por Soggy Bottom Boys em E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?

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2. “Theme from Shaft”, por Isaac Hayes em Shaft

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1. “Run Pussycat”, por The Bostweeds em Faster, Pussycat! Kill! Kill!

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– por Guilherme Bakunin

Tudo Pelo Poder mostra Ryan Gosling no papel de Stephen, uma espécie de co-gerente de campanha de um candidato democrata  (embora eu não me lembre se fica indubitavelmente claro que o candidato assessorado por Stephen seja democrata), interpretado por George Clooney, à presidência nos Estados Unidos. Depois de receber uma excelente proposta do candidato oponente, Stephen tenta esclarecer a situação para seu chefe, Paul, gerente principal da campanha presidencial do personagem de Clooney. Os dois discutem, em plano americano, nos bastidores de um efervescente debate entre os dois candidatos, a bandeira americana estendida ameaçadoramente no segundo plano. Essa cena é particularmente significativa, pois torna explícito exatamente o que Tudo Pelo Poder almeja ser: um filme de caráter humano a respeito dos bastidores das primárias presidenciais norte-americanas.

Para falar desse caráter e nesse contexto, o filme acompanha Stephen durante as duas semanas que antecedem o que parece ser uma pré-primária no estado de Ohio, região centro-oeste americana. É interessante que, ao começo do filme, todas as artimanhas parecem ser completamente sinceras e éticas, e toda a situação parece estar completamente espetacular; então você simplesmente sabe que as coisas vão começar a dar errado pros personagens, mas não sabe ao certo de onde surgirá o conflito. Pois o conflito surge de Stephen, que num descompasso singular, desestrutura todas as condições até então positivas para ele, Paul (Philip Seymour Hoffman) e o candidato Mike Morris.

O descompasso de Stephen revela, no entanto, que dentro do jogo dos bastidores parece haver ainda outro jogo, mais obscuro e secreto; descortina-se para nós, expectadores, que o mundo da política para o diretor de Tudo Pelo Poder é um mundo de adultos, selvagens ou astutos, e que a reação otimista de Stephen a respeito de seu candidato e das possibilidades de todos os tipos de avanços que esse candidato supostamente traria para seu governados (ver como Stephen é bem entusiasmado ao falar sobre o impacto que Morris teria na vida do homem comum) era ingênua e infantil. Ao final do filme, Stephen não manterá esse posicionamento, mas estará parcialmente corrompido ou adaptado para existir naquele mundo.

O título original de Tudo Pelo Poder é, literalmente, os idos de Março, em referência ao dia que o imperador romano Júlio Cesar foi esfaqueado pelas costas por um de seus senadores, Marcus Junius Brutus. Apesar da mitologia romana mais superficial sugerir uma mera traição, sabe-se, obviamente, que as coisas são mais complicadas do que isso. Também o são em Tudo Pelo Poder, onde não há necessariamente um culpado ou um grande protagonista. Existe um jogo de planos e truques que acabam, impessoalmente (como declara o personagem de Paul Giamatti num determinado momento do terceiro ato do filme), atingindo o personagem de Stephen; tampouco há heróis, vale dizer. O estrago que atinge os personagens, enfim, se descortinam através de fontes variadas, de arcos narrativos mais ou menos independentes (a garota da campanha, a proposta do adversário político, as idiossincrasias de Paul, etc).

Ao final do filme, pouco antes da cena final onde o Stephen de Ryan Gosling mais ou menos recria a primeira cena (Stephen agindo como Morris para testar o som e a iluminação de onde, mais tarde no mesmo dia, será realizado um discurso), desta vez um pouco mais ciente da sujeira por trás do trabalho que ele realiza, o personagem de Max Minguella é visto flertando com uma garota da campanha, exatamente da mesma forma que Stephen se aproximou de Molly Stearns (Evan Rachel Wood); o olhar de Clooney-cineasta é óbvio:  o problema não são esses personagens, mas a situação, irremediável. É antes de tudo um filme político; um filme político de 100 minutos, com todas as implicações deste fato (não se pode aprofundar-se demais em sistemas e situações tão intricadas quanto o jogo da política americana com tão pouco tempo). Mas Clooney faz o que pode, e se sai muito bem.

Outras observações:

– Você provavelmente não vai ter notícia de um casting tão incrível quanto desse filme esse ano. Hoffman, Clooney, Gosling, Tomei, Rachel Wood, Giamatti e um grande elenco de apoio, estão à vontade em seus papéis e dão credibilidade total à história; não são os diálogos, mas sim a maneira como eles são ditos, como já diria Ricky Gervais.

– O olhar de Clooney é pessimista e descrente, e seu personagem é obviamente inspirado em Barack Obama (é bastante claro o desapontado que milhões de eleitores democratas tiveram com o governo de Obama, considerado por eles como insosso e insubstancial). Mas independentemente do forte viés político do filme, é realmente uma história contada dum jeito incrível: objetiva e veloz, apesar de mais ou menos densa. Revela sem a menor dúvida a capacidade de Clooney no comando de um filme.

4/5

Ficha técnica: Tudo Pelo Poder (The Ides of March) – EUA, 2011. Dir.: George Clooney. Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei, Jeffrey Wright, Max Minguella, Jennifer Ehle, Hayley Meyers.

– por Guilherme Bakunin

Why the fuck did they go to the russians? Ora, eles foram aos russos porque estavam perdidos, num mundo que já não é mais o mesmo e que já nem tantas coisas acontecem mais. Enquanto todo o planeta cria filmes que remetem a acontecimentos passados ou que se focam dentro de personagens, distanciando o cinema completamente do meio, como fazer um filme que reflete os nossos tempos e que possua um valor histórico imensurável? Bom, você vai fazer Queime Depois de Ler.

Dezenas de personagens que estão vivendo um momento qualquer e sem muita importância de suas vidas, e que começam ter suas histórias narradas para nós, espectadores. Essas pessoas são falsas e conspiratórias, sempre procurando uma brecha para dar um chute em alguém e favorecer-se a partir disso. Uma mulher tem um amante e seu marido se demite da CIA shit. A partir daí tudo é paranoia e nada de fato acontece.

Durante a trama quase todos morrem e sagrados matrimônios vão para o espaço, enquanto Joel e Ethan Coen filmam através de de carros, galhos de árvores, com o que parece ser uma máquina fotográfica. Existe alguém espionando George Clooney. CIA? FBI?  Tuchman Marsh cia de advocacia ltda? Quando a consciência pesa, o mundo inteiro está contra você e até um vibrador possui um objetivo maligno.  Suas atitudes demonstram seu estado de espírito e George Clooney, que está traindo a mulher com no mínimo três outras mulheres, está atormentado, atira em  pessoas depois de vinte anos e foge para a Venezuela. Malkovich foi traído pela mulher e pelo trabalho e, sem saída, enlouquece.  McDormand chegou até onde podia com o corpo que tem e faz de tudo para conseguir uma imagem nova. Reflexo das aspirações e dos valores sagrados americanos, consolidados mais ou manos à época da Guerra Fria e que inexoravelmente ajudou a criar os americanos como eles são hoje.

Claro que a análise do filme não precisa ser tão rígida. Queime Depois de Ler é engraçado, dá pra rir muito fácil. O que não dá pra fazer, porém, é ignorar que o filme foi dirigido pelos irmãos Coen e quem os conhece sabe que eles não vão para o campo de batalha à toa. Todos os trabalhos dos cineastas brincam, remontam e estudam determinados aspectos dos Estados Unidos ou da sociedade americana (sendo que o cinema americano é um dos temas mais recorrentes) e portanto, com esse filme essa história não seria diferente. Claramente brincam com a obsolência das grandes corporações governamentais e de forma inusitada narram os reflexos que toda a confusão e falta de rumo, depois de mais de cem anos de guerras e anestesiação, que engoliram os filhos da América. Dois grandes chefões da CIA se questionam o que poderia ter acontecido e o espectador menos atento vai achar que nós estamos personificados neles. Na verdade, somos Jack Nicholson em Chinatown, perdidos, mas cientes. Estamos cientes porque Joel e Ethan Coen nos mostraram que Clooney preparava algo ultra secreto e que no final das contas era uma cadeira de sexo. Com isso em mente, saiamos de nossas casas e encaremos as nossas vidas, cientes de que todas as coisas que acontecem acontecem provavelmente por ócio.

5/5

Ficha técnica: Queime Depois de Ler (Burn After Reading) – 2008, EUA, Inglaterra, França. Dir.: Joel e Ethan Coen. Elenco: George Clooney, Frances McDormand, Brad Pitt, John Malkovich, Tilda Swinton, Richard Jenkins, Elizabeth Marvel, David Rasche, JK Simmons.