Quem é David Cronenberg?

por Bernardo Brum

O rei do horror venéreo. Ou se preferir, o mestre do horror físico. Segundo o crítico do The Village Voice  J. Hoberman, “o mais audacioso e narrativamente desafiador diretor em atividade do cinema anglófono”. O diretor canadense nascido no ano de 1943 em Toronto (aonde também mora até os dias de hoje), nascido numa família classe média judia, filho de um escritor e uma musicista, Cronenberg estudou na University College, trocando ciência por literatura e se graduando nesta especialidade. Nesses anos de formação foi que consolidou artistas que influenciariam sua forma de pensar, como William S. Burroughs e Vladimir Nabokov.

 Foi no fim da década de sessenta, então, que Cronenberg decidiu tornar-se um cineasta. Seus primeiros dois trabalhos marcantes foram dois projetos altamente experimentais, taxados como “cinema cabeça” (ou art-house, se preferir), o preto e branco Stereo e o colorido Crimes do Futuro.

 Nos anos seguintes, após começar uma parceria com o diretor Ivan Reitman (diretor de clássicos da Sessão da Tarde como Os Caça-Fantasmas, Junior e Um Tira no Jardim de Infância) produzindo suas obras nesse período, iria acontecer sua primeira mudança de estilo: sempre interessado em gêneros como terror e ficção científica, David lançou na segunda metade da década de setenta seus primeiros filmes conhecidos, como Calafrios, Enraivecida na Fúria do Sexo e Os Filhos do Medo, além do mais desconhecido Fast Company.

 Desde o início já se mostrando bastante ousado, ao mesclar horror gore e apelação exploitation com algumas reflexões científicas e existenciais e uma atenção especial aos conflitos psicológicos do seu personagem, inevitavelmente chamou a atenção. Em Calafrios, recebeu a crítica de estar praticamente fazendo pornografia. Respondendo à provocação, Enraivecida na Fúria do Sexo apresentaria Marilyn Chambers, atriz pornô, atuando como protagonista.

 Ateu convicto, os primeiros traços de estilo já apareceriam nessa época: a ciência como o meio de transformação; o ser humano como fruto do meio e do acaso; uma interdependência entre o lado introspectivo e o mundo social. As manifestações de conflitos psicológicos internos sempre explodem nos filmes de Cronenberg em forma de horror e ficção científica, ou tornando os indivíduos em monstruosidades guiadas pelo instinto ou deformando toda a noção de ordem e sociedade. Afinal, para ele, tais coisas não passam de meras convenções. E o ser humano não é nada mais, nada menos que uma besta reprimida.

 Isso se confirmou principalmente nas décadas seguintes – primeiro a de 80, que foi o auge de popularidade de Cronenberg, onde conheceu os grandes orçamentos, as obras mais visualmente e graficamente ambiciosas. Depois de Scanners, um de seus filmes mais comerciais e mais lembrados nostalgicamente como um bom entretenimento sangrento, vieram obras-primas comentadas até hoje, como Videodrome, A Mosca e Mórbida Semelhança, além de talvez o seu filme mais comercial, A Hora da Zona Morta, dirigindo o então conceituado ator Christopher Walken.

 Na mesma década, além de ter dirigido outros atores do calibre de Jeff Goldblum, Geena Davis e Jeremy Irons, Cronenberg também conquistou o Oscar de Melhores Efeitos Especiais para A Mosca e foi sido cotado para dirigir duas das mais lembradas aventuras oitentistas – O Retorno de Jedi e O Vingador do Futuro.

 Porém, é na década de 90 que Cronenberg dirigiria duas de suas obras-síntese de sua carreira, Mistérios e Paixões e Crash – Esranhos Prazeres, duas adaptações de obras notadamente contraculturais. A primeira veio de O Almoço Nu, clássico maldito do beatnik William Burroughs, obra muitas vezes considerada infilmável pela sua extrema fragmentação narrativa, que Cronenberg transformou numa mistura de biografia e delírios junkies. O segundo veio da obra de J. G. Ballard, sobre pessoas com o curioso fetiche por acidentes de carros.

 “O extermínio de todo o pensamento racional”. A frase cai como uma luva no estilo do diretor. Inimigo de convenções e tabus, Cronenberg nessas obras amadurecia ainda mais a questão da construção da subjetividade e dissolvia suas obras até o ponto de não sabermos o que separava realidade e alucinação. Em outras obras, como M. Butterfly, mistura entre teatro, espionagem e o ainda polêmico tabu dos gêneros e identidades sexuais, e a aventura escatológica eXistenZ, que tal como um Videodrome recauchutado, atualiza a questão da televisão para a dos videogames, pensando como os seres humanos reagem a tecnologias interativas.

 Cronenberg chegou no novo século aprofundando o melhor que criou em cada um de seus momentos formais mais radicais. Vieram Spider – Desafie Sua Mente, que explora o drama de um esquizofrênico que após anos em um hospital psiquiátrico tem que voltar ao mundo e aprender a lidar com ele e com a cultura de bens e valores sempre mutante, e o novo auge de Cronenberg – quando dirigiu em seqüência duas histórias de crime, Marcas da Violência (baseada numa graphic novel), esta falando sobre a identidade e construção da mesma, e Senhores do Crime, um mergulho no submundo da máfia russa, (seus rituais e quem são e como são os indivíduos que integram esse grupo em particular).

 Em 2008, Cronenberg realizou dois projetos não-cinemaográficos: a exibição Chromossomes no Rome Film Fest e uma versão ópera de A Mosca em Los Angeles e Paris. Pode parecer extravagante, mas esse lado exótico já tinha transparecido, com muito bom humor, em sua inusitada participação no filme Jason X., uma das inúmeras continuações da saga Sexta-Feira 13.

 Sem filmar desde Senhores do Crime, em 2007, Cronenberg anunciou que seus dois próximos projetos são A Dangerous Method, ainda este ano, sobre o relacionamento entre os célebres Sigmund Freud e Carl Jung (é o terceiro filme do diretor com o ator Viggo Mortensen como um dos protagonistas) e, e em 2012, Cosmopolis, sobre um milionário em uma epopéia através de Manhattan. O primeiro é uma adaptação de uma peça, e o segundo, de um romance. Adaptações são uma constante onipresente na carreira de David, que tem um talento ímpar para conjugar múltiplos universos criados por diferentes autores em filmes com sua inconfundível assinatura.

 Assinatura esta que fez Cronenberg ser, quando foi sugerido nas reuniões do Cine Café, ser imediatamente escolhido. Apesar de ter investido de leve em filmes mais comerciais, David foi, ao longo de mais de 40 anos de carreira, um dos cineastas mais originais e, conseqüentemente, anticonvencionais de seu tempo. Infiltrado no cinema de gênero, conseguiu tornar-se verdadeira referência nas últimas décadas, ao igualar sem igual mente e corpo, carne e intelecto para erigir um cinema forte, visceral e impactante. Cronenberg se refinou como ninguém na arte de filmar mirando nossas entranhas – e sempre acertar.

Finalmente, após longo inverno, aí vai o cronograma do especial:

– Cronograma Especial David Cronenberg –

Dia 1: Texto de Abertura , por Ber + A Mosca, por Ber
Dia 2: M. Butterfly, por LC + Filhos do Medo, por Troy
Dia 3: Scanners, por LC + Na Hora da Zona Morta, por Mike
Dia 4: Crimes do Futuro, por Mike + Marcas da Violência, por Troy
Dia 5: eXistenZ, por Mike + Enraivecida na Fúria do Sexo, por Ber
Dia 6: Spider, por Troy + Mórbida Semelhança, por Mike
Dia 7: Calafrios, por Ber + Stereo, por Troy
Dia 8: Mistérios e Paixões, por Ber + Senhores do Crime, por Mike
Dia 9: Videodrome, por Luiz Carlos Fruta (LC)
Dia 10: Tops

E com o texto anteriormente publicado de Crash, por Ber, toda a filmografia do Cronenberg (até Junho-2011, Brasil) foi contemplada.

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Quem é Paul Verhoeven?

por Bernardo Brum

Para a maioria esmagadora da comunidade cinéfila, em todos os meios  – na internet ou nos cineclubes – Paul Verhoeven é comumente conhecido como um dos cineastas “tipo exportação” que proliferam há décadas nos Estados Unidos, responsável por alguns clássicos filmes de ação e bombas de proporções gigantescas – e nada mais. Mas como reza o velho (e clichê) ditado nem sempre pode-se julgar um livro pela capa. O poder de fogo de Verhoeven é, mesmo que relegado a um segundo escalão cinematográfico, de um alcance longo e duradouro, capaz como poucos de cumprir a missão número um do cinema – cristalizar no inconsciente coletivo as imagens em movimento.

Mas deixando a retórica de lado, vamos nos ater aos fatos. Nascido na Holanda em 16 de julho de 1938, filho de um professor e uma chapeleira, Verhoeven curiosamente parecia não ter o cinema como sua primeira opção. Quem conta isso é o seu diploma em Matemática e Física, pela Universidade de Leiden. Sua infância foi um tanto agitada: crescido em uma casa perto de uma base alemã constantemente bombardeada pelos Aliados e, ao mesmo tempo, banhado na escola e nos cinemas da região por filmes informativos e películas americanas que aprendeu a gostar desde a mais tenra idade – como Frankenstein, Guerra dos Mundos e filmes B de detetives. Nesta época, também, teve interesse por desenhar histórias em quadrinhos.

Talvez seja esse background que tenha feito ele desistir de usar profissionalmente sua graduação e investir sua energia e recursos na feitura de filmes. Nessa época, dirigiu alguns curtas-metragens e documentários para a marinha (um deles, inclusive, ganhou um premio francês destinado a filmes militares) e para a televisão e casou-se com Martine Tours, que mais tarde daria a ele duas filhas.

No início da década de 70, finalmente Paul Verhoeven estrelaria em longas-metragens, com o exploitation tornado cult Negócio é Negócio, uma comédia de humor negro sobre duas prostitutas que foi mal recebido pela crítica. Mas iria à forra em 1973, com o sucesso Louca Paixão, que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e, duas décadas depois, foi considerado o melhor filme holandês do século. O filme marcaria o início da parceria do diretor com Rutger Hauer, prosseguida dois anos depois com Os Amantes  de Katie Tippel, que não alcançou o sucesso do anterior.

Mas isso não parecia motivo para parar Verhoeven, que logo emplacou outro sucesso, o épico de segunda guerra Soldado de Laranja, novamente com Hauer. Choveram prêmios e indicações mais uma vez: concorreu para o Globo de ouro e ganhou como melhor filme de língua estrangeira na premiação dos críticos de Los Angeles. Curiosamente, na tal eleição dos filmes mais importantes da Holanda ocorrida na década de 90, Soldado de Laranja ficaria com o segundo lugar, perdendo para o supracitado Louca Paixão.

Nessa época, o cineasta já havia cravado suas marcas de estilo: perversão, nudez frontal, diálogos “sujos”, escatologia e  outros elementos do gênero eram filmados de forma despudorada e direta. É o caso de Sem Controle, seu quarto filme com Rutger Hauer, considerado por muitos na época uma versão bem mais violenta e sexualizada de Os Embalos de Sábado à Noite. O último filme do diretor em sua terra natal seria o horror O Quarto Homem.

Daí então teria início o ápice e também o período mais polêmico (para críticos e para os fãs) da carreira de Verhoeven. Exportado junto com seu ator de estimação (vocês sabem quem) fez o filme de época Conquista Sangrenta, com Jeniffer Jason Leigh (que, mesmo se passando em 1500, não abandona a violência e o sexo que são tão característicos de sua obra!). O ponto de virada, que fez Paul ser lembrado por todos como um cineasta que gira suas obras em torno de pólos como efeitos especiais incrementados, orçamentos altos e violência explícita, viria com a ficção científica policial Robocop, que além de ganhar vários prêmios por efeitos especiais, tornou o seu protagonista um ícone da cultura pop – daqueles que todo mundo já ouviu falar mesmo sem ter visto.

A boa fase continuaria com outra ficção científica, O Vingador do Futuro, com o “terminator” Arnold Schwarzenegger, baseado em um livro do célebre escritor do gênero cyberpunk Philip K. Dick. Outro sucesso de público, crítica e premiações. Depois de dois filmes sci-fi seguidos, decidiu voltar aos tempos de sexualidade, tensão e provocação com o suspense à lá Hitchcock Instinto Selvagem, que novamente abalou as estruturas cinematográficas e populares por apresentar a famosa cena em que, num vestido curtíssimo e sem roupas de baixo, uma Sharon Stone no auge da gostosura dá a cruzada de pernas mais famosa do cinema.

Verhoeven continuou nesse universo altamente sexualizado em Showgirls, filme criticado impiedosamente quando foi lançado, recebendo censura máxima e conquistando os  “prêmios” de Pior Filme e Pior Diretor no Framboesa de Ouro. Curiosamente, ao longo dos anos, Showgirls viraria um verdadeiro cult, fazendo um sucesso alucinado no mercado das videolocadoras, arrecadando mais de 100 milhões de dólares com aluguel de fitas VHS e tornando-se um dos vinte filmes mais lucrativos da MGM…

A polêmica continuaria quando Verhoeven retornou ao universo das ficções científicas sangrentas Tropas Estelares, que fazia alusões a uma sociedade militarista e totalitárias no futuro, percebido por alguns como uma crítica sarcástica do diretor aos Estados do mundo, e por outros levado a sério, chegando inclusive a alguns taxarem abertamente o diretor de facista (polêmica semelhante também enfrentada pelo livro homônimo do qual o filme foi adaptado). Em 2001 viria O Homem Sem Sombra, o último filme de Verhoeven em terras americanas, a livre adaptação (no sentido de tomar muitas liberdades criativas em relação a obra original) do clássico livro de H. G. Wells O Homem Invísivel. Apesar das duras críticas ao roteiro, o filme foi elogiado por uma parcela do público pela excelência no uso de efeitos especiais gerados por computação gráfica (sendo inclusive indicado ao Oscar nessa categoria).

Depois de morar 20 anos nos Estados Unidos, Paul Verhoeven retorna com festas e glórias aos Países Baixos e filma uma nova obra em 2006, A Espiã. Dividindo a crítica e abocanhando três prêmios da premiação nacional de cinema da Holanda, o filme foi definido pelo anfitrião da entregra dos prêmios como “o retorno de um herói”. Desde então, apesar de ter anunciado alguns projetos, Verhoeven ainda não dirigiu mais nenhum filme. Mais recentemente, como membro de uma associação de críticos do cristianismo, lançou um livro em 2007 sobre Jesus Cristo que desagradou muitos por suas acusações de corrupção da instituição religiosa e supostas ofensas contra o símbolo maior dessa religião.

Em quarenta anos de cinema, Paul Verhoeven conheceu altos e baixos como nenhum outro. Foi chamado de gênio, incompetente, refinado e escatológico na mesma medida e, lentamente, após grande início de carreira, empurrado por crítica e cinéfilos para o underground do mundo cinematográfico, sendo considerado, hoje em dia, autor de poucos clássicos, filmes primogênitos desconhecidos e obras recentes desprezadas. Mas, como sempre, não para o Cine Café. Por ser forte e direto como poucos cineastas ousam ser, por ter a coragem de entrar na nação mais poderosa do mundo e brincar acidamente com seus costumes, tabus e manias e pela sua autoralidade altamente descarada e maluca, costurando tudo isso com uma linguagem narrativa sempre densa, bem estruturada e ganchuda, ele merece mais do que comentários ocasionais aqui e ali. Direto do subsolo, com todo os litros de sangue, seios de fora e abuso sacana dignos de um bom maldito, com vocês, Paul Verhoeven.

Sem mais delongas, segue abaixo o cronograma do Especial, com o calendário direitinho dos textos que serão publicados.

– Cronograma Especial Paul Verhoeven –

Dia 1: Texto de Abertura, por Ber + Robocop, por LC
Dia 2: O Amante de Keetje Tippel, por Troy + O Homem sem Sombra, por Ber
Dia 3: Sem Controle, por LC + Screenshots: Robocop, por LC
Dia 4: Louca Paixão, por Ber + Negócio é Negócio, por LC
Dia 5: Instinto Selvagem, por Troy + Screenshots: Instinto Selvagem, por Troy
Dia 6: Soldado de Laranja, por Ber + Showgirls, por LC
Dia 7: Tropas Estelares, por Ber + A Espiã, por Troy
Dia 8: O Quarto Homem, por LC + Conquista Sangrenta, por LC
Dia 9: Vingador do Futuro, por Ber + Screenshots: O Vingador do Futuro, por Ber
Dia  10: TOPs

por Bernardo Brum

Transgressão significa a ação humana de atravessar, exceder, ultrapassar, noções que pressupõem a existência de uma norma que estabelece e demarca limites.

(fonte: Wikipédia)

O que define um filme como transgressor?

Difícil dizer que todo filme que lance uma inovação técnica seja transgressor. Difícil também, dizer que um filme que não traz nada de novo em matéria de linguagem ou tecnologia possa ser transgressor.

Todos os filmes selecionados aqui não são transgressores pelos mesmos motivos. Alguns deles foram responsáveis por quebrar todos os paradigmas até então. Outros, por suas temáticas ou determinadas cenas, ou por simples distinção de abordagem causaram polêmicas socio-culturais sem precedentes, tornando determinadas frases, cenas ou personagens símbolos de toda uma geração.

Assim, o leitor pode e deve discordar se acha esse ou aquele filme transgressor ou não. Tudo aqui é discutível, inclusive fatos e parâmetros.

Do filme que revelou que o cinema poderia ser o mais poderoso narrador de histórias àquele que criou uma indústria à parte na economia mundial, passando por aqueles que consagraram gêneros, aqueles que discutiram, analisaram e criticaram a sociedade, agindo de forma ativa ou passiva ao longo desse século e pouco de cinema, está um pouco de cada aqui.

O cinema é fruto do meio e agente do mesmo. Se continua sendo fato ou não, discutamos aqui.

– Cronograma Especial Cinema Transgressor –

Dia 1: Tempos Modernos (Charles Chaplin), por Bernardo Brum
Dia 2: O Gabinete do Dr. Caligari (Rober Wiene), por Murilo C. Ceccone
Dia 3: O Encouraçado Potemkin (Sergei Eisenstein), por Murilo C. Ceccone
Dia 4: O Nascimento de Uma Nação (D. W. Griffith), por Lucas Duarte
Dia 5: Teorema (Pier Paolo Pasolini), por Bernardo Brum
Dia 6: O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla), por Luiz Carlos Freitas
Dia 7: No Tempo das Diligências (John Ford), por Guilherme Bakunin
Dia 8: Metrópolis (Fritz Lang), por Luiz Carlos Freitas
Dia 9: Star Wars IV: Uma Nova Esperança (George Lucas), por Guilherme Bakunin
Dia 10: Hiroshima, Meu Amor (Alain Resnais), por Cauli Fernandes
Dia 11: Laranja Mecânica (Stanley Kubrick), por Cauli Fernandes
Dia 12: Cidadão Kane (Orson Welles), por Luiz Carlos Freitas

– por Guilherme Bakunin

Desde os anos 50, cineastas têm trabalhado para atingir a apoteose no que diz respeito a criação de atmosfera dentro de um filme. Muitos ousaram durante as décadas, transgrediram e estudaram o tema e suas implicações, entre os quais se destacam Mario Bava, Roman Polanski, Lucio Fulci e muitos outros. Os trabalhos desses cineastas possibilitaram que, nos anos 90, John Carpenter criasse À Beira da Loucura, um terror atmosférico-psicológico, trabalhado com extrema dedicação e que rapidamente se tornou para muitos, o maior filme desse cineasta.

John Trant é levado para um sanatório, aos próprios gritos de ‘não sou louco’. Algumas horas depois naquele dia, um doutor, na busca pela explicação de Trent, questina o porque dele estar ali. É então que o filme começa e que podemos acompanhar, através do olhar de alguém que está supostamente louco, a imersão deste mesmo alguém à loucura.

A história pouco a pouco cede ao horror absoluto, não só porque trabalha num universo estritamente particular, criado e elaborado por De Luca (escritor) e Carpenter, mas principalmente porque põe em cheque a existência, dilacera todos os fundamentos do real, e faz com que ambos, personagem e espectador, decaiam no abismo do desconhecido, do intocável. É através da abstração do medo que Carpenter trabalha com a atmosfera dentro do seu filme, pois, ainda que poucas cenas se abram com crueza no horror escatológico de suas criaturas e criações (humanos transformados, por exemplo), é muito mais na edição, nas luzes, nos cenários, na sugestão e no som que reside o terror dentro da obra.

É provavelmente por esse motivo que À Beira da Loucura é o que é. Não cabe aqui a compreensão – pelo menos convencional, das coisas -, nem as palavras. O filme deve ser assistido e sentido. É abstrato, é experimental, é genial. Metalinguagem com absoluta falta de lógica, existência suspeite, nada é realmente o que parece e nada é o que não é. Todo mundo está na boca da loucura, criatura colossal e nociva, e cederemos a ela, por pelo menos curtíssimos noventa minutos.

Como é impossível fugir dos superlativismos da êxtase, À Beira da Loucura é o melhor trabalho de John Carpenter, o melhor horror dos anos 90 e com certeza um dos trabalhos mais bem realizados daquela década. Uma perfeita e irretocável não-adaptação-inspirada em Stephen King.

5/5

Ficha Técnica: À Beira da Loucura (In The Mouth Of Madness) – 1994, EUA. Dir.: John Carpenter. Elenco: Sam Neill, Julie Carmen, David Warner, Jürgen Prochnow

prince

– por Luiz Carlos Freitas

Em 1986 John Carpenter amargara um estrondo fracasso de bilheteria com seu Os Aventureiros do Bairro Proibido. Sem muita credibilidade junto aos grandes estúdios, assina contrato com uma pequena produtora de telefilmes para produzir alguns trabalhos de baixo orçamento para (como dizem alguns) “pagar as contas”. Se por um lado isso parece um problema, por outro é notada que essa nova “fase” em sua carreira o trouxe uma total liberdade criativa que há um bom tempo já não se via em seu trabalho.

O primeiro desses filmes foi o seu Príncipe das Sombras, lançado em 1987. Carpenter dribla os poucos recursos e, indo além, faz até uso deles de forma proveitosa, contando a história de uma grande ameaça (que pode devastar o mundo como um todo) sob a ótica de um pequeno grupo de indivíduos cercado pelo mal por todos os lados.

Na trama, o padre Loomis (Donald Pleasence em um papel-homenagem ao Dr. Loomis, vivido por ele mesmo em Halloween – A Noite do Terror) é chamado à uma igreja para iniciar as investigações a respeito de um misterioso líquido verde encontrado em seu subterrâneo que, segundo alguns escritos, era protegido por uma seita secreta (a “Irmandade do Sono”) há mais de 2000 anos. Chegando lá, junta-se com o professor Birack (Victor Wong), renomado físico que recruta seus melhores alunos para uma série de análises de emergência da substância.

O interessante é notar como John Carpenter consegue transformar isso numa verdadeira salada diabólica. A trama rápido converge para o que esperamos de um filme da linha clássica do diretor, com mortes, suspense crescente, atmosfera sufocante e claustrofóbica, além de altas doses de reflexão existencial e sobre a sociedade, com direito até à viagem no tempo e, é claro, muitos sustos.

O ceticismo e a crença estão lá, com seus extremos bem representados por Birack e Loomis, ambos presenciando o mesmo mal, mas agarrando-se em suas “lógicas” ao máximo. E no meio disso, os jovens alunos que, vez por outra, acreditam na ciência e nas idéias “loucas” do padre (representam a possibilidade de não se terem escolhas definitivas ante uma força poderosa e ameaçadora – e, principalmente, desconhecida).

Um ponto importante diz respeito à origem do mal visto em tela. Carpenter, como de costume, não nos joga explicações de cara. Os acontecimentos vão transcorrendo e aos poucos as peças vão se juntando até culminar numa solução bem óbvia: aquele líquido misterioso seria responsável por abrir um portal para trazer o próprio Satanás à vida na Terra. Todavia, essa solução perde toda a sua obviedade nos três minutos finais (sério, todos aqueles conceitos construídos ao longo da projeção caem por terra – repensamos se realmente era aquilo que achávamos).

A atmosfera é uma das melhores já criadas pelo diretor. Aliás, o curioso é que o filme é todo um grande prólogo. A trilha do começo e a edição de imagens dão uma sensação de “corrida” no tempo, como se sempre houvesse fatos novos à espera. A trilha persiste, sendo exatamente a mesma do início ao fim. A sensação de que algo está para acontecer, de que o filme finalmente irá “começar” nos acompanha até os momentos finas (vide o sonho-presságio que nunca é completamente revelado – e quando o é, já estava totalmente mudado). Alguns personagens marcam presença por detalhes simples, como o “negão” de risada macabra ou a jovem Kelly (Susan Blanchard) que, quando possuída pelas forças do mal, protagoniza um dos momentos mais aterrorizantes e tensos da filmografia do Carpenter.

Entretanto, Príncipe das Sombras tem problemas nítidos com seu orçamento. Alguns momentos bem “toscos” (a “mão do demônio” – de papel machê ou plástico, não sei bem ainda – realmente me fez rir) e a maquiagem dos “zumbis”, porém estes não chegam a interferir muito no resultado final. Talvez o grande problema nem sejam as restrições orçamentárias, mas o próprio roteiro da obra, que em alguns momentos próximos ao final beira o didatismo com algumas soluções e saídas bem rápidas.

Mas isso não enfraquece a proposta do longa. Temos aqui um dos trabalhos mais ricos de toda a sua filmografia, onde a religião é apenas um pretexto para se discutir sobre a fé do homem em si próprio e na humanidade, o ceticismo e o apego aos nossos conceitos e valores (carregados de forma inconsciente, até) representados tanto pelo cientista que se recusa à aceitar que seu ceticismo pode matá-lo quanto pelo padre que se esconde em um quarto cercado por mortos-vivos e, aos prantos, questiona se Deus realmente estaria ali.

Ao fim das contas, Príncipe das Sombras foi muito bem nas bilheterias, apurando ao todo só nos EUA quase cinco vezes o valor investido. Apesar disso, a crítica (que nunca foi das mais tolerantes ao diretor) caiu em cima, massacrando sua obra. Todavia, o tempo o fez certa justiça. Claro, nem todos seus trabalhos têm a visibilidade merecida, como é o caso deste, relegado ao segundo escalão de sua filmografia, mas isso também é questão de tempo.

PS.: Detalhe para uma participação especialíssima do roqueiro Alice Cooper, interpretando o líder da gangue de mendigos-zumbi (e é incrível como ele fica ainda mais assustador sem maquiagem).
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4/5

Príncipe das Sombras (Prince of Darkness) – 1987, EUA – Dir.: John Carpenter – Elenco: Donald Pleasence, Jameson Parker, Victor Wong, Lisa Blount, Dennis Dun, Susan Blanchard, Anne Marie Howard, Ann Yen, Ken Wright, Dirk Blocker, Jessie Lawrence Ferguson, Peter Jason, Robert Grasmere, Alice Cooper

starman31

– por Luiz Carlos Freitas

John Carpenter poucas vezes em sua (relativamente) curta filmografia, à exceção de Dark Star e Assalto a 13ª DP (filmes de início de carreira que nem contam muito), se arriscou fora do estilo que o consagrou, o horror. E em nenhuma delas sua mudança foi bem recebida por parte da crítica e do público. Foi assim com o até divertido Memórias de um Homem Invisível e esse seu Starman, de 1984.

A trama é realmente bem diferente do que estamos acostumados a ver em seus filmes. Após fazer contato com uma sonda espacial americana, alienígena resolve vir à Terra pra fazer contato pacífico com os humanos. No entanto, sua nave é abatida logo após sua entrada em nossa atmosfera. Sem meio de transporte e por não possuir uma forma física definida, ele procura refúgio em uma cabana nas proximidades de onde havia caído. Lá depara-se com vários rolos de filme e álbuns de fotografia. Num deles, encontra uma mecha de cabelo de Scott, homem há pouco falecido, e que era guardada por Jenny Hayden (Karen Allen), sua esposa que ainda se recuperava do trauma da perda, e acaba “copiando” seu corpo.

Agora, enquanto “Scott” (vivido por Jeff Bridges), ele precisa da ajuda de Jenny para se locomover ao longo de três estados para recuperar sua nave e voltar ao seu planeta, ou então acabaria não resistindo e morrendo. Durante essa jornada, ele irá chocar-se com alguns costumes humanos e ter de conviver com o medo e a fascinação crescente de Jenny (que via nele seu grande amor recém-perdido).

É, realmente não tem como imaginar que esse seja o resumo de um filme do grande “Master of Horror” John Carpenter (Spielberg seria o primeiro nome que me viria à cabeça). Porém, mesmo fora de seu campo, Carpenter nos brinda com um trabalho tão seu quanto seus maiores e mais conhecidos clássicos.

Essa jornada pelo país em busca da nave perdida de Scott é o que Hitchcock chamou de McGuffin. Assim como a misteriosa maleta que desencadeia quase duas horas de tiros e perseguições em Ronin a valise com os 30 mil dólares que faz com que Janet Leigh se esconda no Motel Bates em Psicose ou os alienígenas que levam Mel Gibson a repensar sua fé em Sinais, a viagem de Scott e Jenny é apenas um mero ponto de partida (pra não dizer “pretexto”) para que o diretor possa explorar de forma magistral um tema que sempre permeou sua obra: o homem e sua sede por manter-se sempre no topo (esta quase sempre auto-destrutiva).

Ao acompanharmos a dupla de protagonistas ser perseguida impiedosamente pela polícia e até pelo exército ao longo do país, vemos o contraste entre as motivações e valores de “caça” e “caçador”. Scott representa a pureza (coisas que para nós são simples, como falar um palavrão, para ele são mágicas; sua virtude o coloca como o “elo mais fraco” de toda uma cadeia social que tende a estar sempre submetida à ponta superior, esta representada também por um conflito: de um lado, Mark Shermin (Charles Martin Smith), o cientista que via no contato com o alienígena incomensuráveis trocas de trocas de conhecimento, do outro o general George Fox (Richard Jaeckel) que pretendia eliminar o alienígena em prol da “segurança nacional”.

Não é preciso pensar muito para se ter idéia do quecada personagem dali representava. A crítica às grandes instituições detentoras do controle do poder e influenciadoras da sociedade (tema este que seria revisto poucos anos após em Eles Vivem) está presente o tempo inteiro, em cada ação dos que representam o governo e demais órgãos que tentam assumir o controle da situação, ficando cada vez mais forte e evidente contrastando com as cenas do aprendizado do Starman durante seu curso rumo à sua nave.

Além disso, vale destacar a estranha relação de dependência que se estabelece entre Starman e Jaynne. Um amor impossível de todas as formas possíveis, pois se por um lado ele era a representação física perfeita de seu falecido marido, era evidente que ainda assim não era ele. E mesmo que seu sentimento fosse além desse “pequeno detalhe” e algo surgisse entre os dois, ela ainda tinha de lidar com a certeza de que ele não sobreviveria caso ficasse na Terra com ela. Tudo isso a deixava extremamente confusa, o que fica evidente por suas expressões de medo (até mesmo nos momentos mais felizes) ao longo do filme. Em contrapartida, Starman continuava sorrindo mesmo nas piores situações.

Contudo, não podemos deixar de lado o fato de que o Carpenter sempre foi um esteta. Seus filmes, além de riquíssimos em conteúdo e na construção de atmosferas, sempre foram visualmente magníficos. Apesar de não ter nenhum momento memorável ao ponto de figurar em alguma lista de melhores de sua carreira, possui algumas cenas lindas, como todo o prólogo inicial no espaço, a queda da nave e o primeiro contato de Starman com Jaynne.

Aliás, a sequência do “nascimento” é no mínimo impressionante, tamanho realismo e força do conjunto de imagens em sequência. A vista de Jaynne no feto monstruoso ao chão que aos poucos evolui a um garoto e, por fim, ao “Scott” adulto é quase um “Ei, esse ainda é um filme do John Carpenter, vejam que coisa bizarra!”. Uma cena grotesca que, após poucos segundos, retorna à suavidade visual empregada ao resto da obra.

Carpenter finaliza (como quase sempre) em aberto, deixando a reflexão sugerida, o que só confere ainda mais força às escolhas do roteiro. As partes se reafirmam, o “bem e o mal” estão lá, mas não completamente definidos, delimitados, não tão distantes entre si. Porém, por mais pessimista que possa parecer, há um momento importante onde fica evidente que ainda resta alguma esperança.

Claro, não veja Starman esperando um filme grandioso e sufocante como os grandes clássicos de sua carreira. O ritmo, apesar de sustentado até o fim, é lento em boa parte do longa, além de, como já dito, não contar com sequências memoráveis. No entanto, ainda é um filme do John Carpenter e que segue toda a sua cartilha (e à altura).

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4/5

Starman – O Homem das Estrelas (Starman) 1984, EUA – Dir.: John Carpenter – Elenco: Jeff Bridges, Karen Allen, Charles Martin Smith, Richard Jaeckel, Robert Phalen, Tony Edwards, John Walter Davis, Ted White, Dirk Blocker, M.C. Gainey, Sean Faro, Buck Flower, Russ Benning, Ralph Cosham, David Wells

Quem é John Carpenter?

john carpenter

por Bernardo Brum

Nova-Iorquino nascido em 16 de janeiro de 1948,  John Carpenter foi diplomado pela USC no início da década de setenta, após passar a década anterior envolto em pequenas produções pouco rentáveis e pouco divulgadas enquanto cursava. Em 1974, junto com o parceiro Dan O’ Bannon (que viria a ser conhecido como o roteirista de Alien – Oitavo Passageiro e o diretor de A Volta dos Mortos Vivos) expandiu um projeto com a duração de um média metragem para um longa, que recebeu o nome de Dark Star, uma comédia de ficção científica vagamente inspirada no clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço. Chamado por um crítico de “o último grande filme hippie” e definido pelo diretor como “Esperando Godot no espaço”, o filme infelizmente acabou tendo sua divulgação prejudicada pelas distribuidoras, o que relegou o filme a uma fama cult.

Porém, isso não foi motivo para parar o diretor, que logo conquistou reputação e recepção positiva da crítica com o filme de ação Assalto à 13ª DP e o telefilme Alguém Me Vigia, o segundo marcado pelo início da colaboração entre a atriz Adrianne Barbeau e o diretor, que foram casados entre 1979 e 1984. Desde esse momento, ele já delineava seu estilo: fotografia e iluminação minimalistas, ângulos de câmera criativos e uma forte inspiração no cinema de Howard Hawks, especialmente do filme Onde Começa o Inferno, e de Alfred Hitchcock, o que lhe valeu um grande talento na construção de cenas de tensão e suspense em ambientes internos e claustrofóbicos. A proposta do diretor alcança o seu auge na obra-prima independente Halloween, responsável por, de uma tacada só, criar o subgênero slasher, causar um estrondoso sucesso de bilheteria e crítica, tornar clássico o psicopata Michael Myers e lançar para o estrelato uma então desconhecida Jamie Lee Curtis. Outra marca registrada é que Carpenter, também sendo músico, compôs a trilha sonora de muitos dos seus filmes – e a de Halloween ficou eternizada no imaginário coletivo.

Após esse filme, lançou clássico atrás de clássico (sem contar a produção para a TV Elvis), com orçamentos cada vez mais consideráveis. Desse período vieram o filme de fantasmas A Bruma Assassina, a ação pós-apocalíptica Fuga de Nova York (que consagrou o ator Kurt Russell no papel de Snake Plissken), uma adaptação do famoso escritor Stephen King, Christine – O Carro Assassino, e a sangrenta e sinistra ficção científica O Enigma de Outro Mundo, refilmagem de O Monstro do Ártico, filme de 1951 produzido por seu “mestre” Howard Hawks, entre outras produções, como Starman.

Porém, Carpenter se desligou dos grandes estúdios ao fracassar retumbantemente na bilheteria com Os Aventureiros do Bairro Proibido, em 1986. Daí em diante, assina com a Alive, uma produtora menor, mas que oferecia total liberdade criativa ao diretor. Dessa segunda metade dos anos oitenta vem alguns dos seus filmes mais inspirados, como O Príncipe das Sombras e a mistura de ação, ficção científica e conspiração governamental em Eles Vivem.

No começo dos anos noventa, lança Memórias de um Homem Invisível, misturando comédia, romance, política e ficção científica. Após os bons Cidade dos Amaldiçoados e À Beira da Loucura, sua carreira entra em declínio com filmes não tão inspirados e/ou reconhecidos feito os de outrora, sendo estes Fuga de Los Angeles (onde Russell voltaria como Snake) e Vampiros de John Carpenter.

A ficção científica Fantasmas de Marte, de 2001, marca sua última produção para o cinema até então. Alguns anos mais tarde, finalmente tendo o reconhecimento que lhe é merecido, é convidado a participar da série televisiva Masters Of Horror, junto a outros luminares do gênero como Tobe Hooper, Dario Argento e John Landis. Dirige dois episódios de aproximadamente uma hora cada: Pesadelo Mortal e Pro-Life. O primeiro foi tão bem aceito e elogiado que acabou ganhando uma edição em DVD à parte da série.

Por dedicar décadas inteiras a reconstruir e revitalizar com mãos de artesão e uma autoralidade única gêneros como ação, terror e ficção científica, sempre se utilizando de um refinamento visual impressionante mesclados à narrativas que conseguem fundir inteligência, carisma, rebuscamento, popularidade e personalidade, ainda que muitas vezes fosse injustamente relegado à diretor de cinema B ou “trash”, John Carpenter parecia ser a escolha ideal para o primeiro especial do blog, por sempre se manter como um dos últimos diretores americanos a ainda insistir em propostas mais clássicas e “de gênero”, mas sempre se utilizando de suas influências e de sua estética pessoal de forma absolutamente contemporânea e moderna. Carpenter pode até não figurar como diretor “revolucionário” ou “polêmico”, mas com certeza merece ter todo o reconhecimento que tem (e até mais) por ser um dos mais completos cineastas ainda em atividade.

Sem mais delongas, segue abaixo o cronograma do Especial, com o calendário direitinho dos textos que serão publicados.

– Cronograma Especial John Carpenter –

Dia 1: Especial Carpenter, por Equipe + O Enigma do Outro Mundo, por Bernardo Brum

Dia 2: Starman – O Homem das Estrelas, por Luiz Carlos Freitas + Pesadelo Mortal e Pro Life, episódios de Masters of Horror, por Bernardo Brum

Dia 3: A Cidade dos Amaldiçoados, por Cauli Fernandes + Christine – O Carro Assassino, por Lucas Duarte

Dia 4: Príncipe das Sombras, por Luiz Carlos Freitas + Eles Vivem, por Guilherme Bakunin

Dia 5: Fuga de Nova York, por Lucas Duarte + Memórias de um Homem Invisível, por Bernardo Brum

Dia 6: Alguém Me Vigia, por Guilherme Bakunin + Os Aventureiros do Bairro Proibido, por Luiz Carlos Freitas

Dia 7: A Bruma Assassina, por Cauli + Fuga de Los Angeles, por Lucas Duarte

Dia 8: Dark Star, por Bernardo Brum + Vampiros de John Carpenter, por Luiz Carlos Freitas

Dia 9: À Beira da Loucura, por Guilherme Bakunin + Fantasmas de Marte, por Lucas Duarte

Dia 10: Halloween – A Noite do Terror, por Bernardo Brum + TOP 5 Carpenter, por Equipe