por Bernardo Brum

Não se pode negar que, mesmo com todo seu talento, Dario Argento também teve um pouquinho de sorte no começo da carreira.  Afinal, fora o pai ter produzido o filme, quantos diretores podem se orgulhar de começar suas carreiras com a música de Ennio Morricone e a fotografia de Vittorio Storaro?

E para um marinheiro de primeira viagem na cadeira de direção, é admirável como Argento consegue harmonizar e controlar o talento desses dois gigantes para que o filme ainda fosse um produto artístico seu. Fusão das história de mistério baratas com o estilo visual de gente como Mario Bava e seu Seis Mulheres Para o Assassino, O Pássaro das Plumas de Cristal não é recomendável apenas para aqueles que curtem a mesma velha história com uma roupagem nova, mas também para testemunhar a gênese de um artista que, poucos anos depois, tornaria-se um dos gigantes do cinema fantástico italiano.

Desde então já era possível perceber o cuidado – para não dizer obsessão – minucioso com as cenas de assassinato, invariavelmente os clímaxes do seu filme. Dá para perceber que o roteiro é apenas um pretexto – o que importa são as cenas si: poderosas, exuberantes e jamais grosseiras ou vulgares. Se a intenção era tornar o assassinato algo bonito de se ver, Dario consegue.

Assim como o protagonista, passaremos o filme inteiro reconstruindo o mesmo para solucionar o mistério, apenas porque tal cena é boa demais – e sim, merece que  o resto do filme seja um estudo sobre ela. Mesmo que o ritmo ainda seja truncado e vários minutos devessem ficar no chão da sala de edição, cada menção de tal assassinato é um êxtase. E era só a primeira vez.

Era o início de uma carreira que comemora quatro décadas de sangue, facas brilhando no escuro, assassinos que usam os olhos do espectador, folclore sinistro, bruxaria, visual irreal e contos absurdos: tudo era rascunhado e começava a tomar forma aqui. O filme não está a altura do prazer que é ver o nascimento de uma carreira tão brilhante. Mas dá muito bem pro gasto.

3/5

Ficha técnica: O Pássaro das Plumas de Cristal (L’uccello dalle piume di cristallo) – Itália, Alemanha, 1970. Dir.: Dario Argento. Elenco: Mario Adorf, Tony Musante, Suzy Kendall, Enrico Maria Salerno, Eva Renzi, Umberto Raho, Renato Romano, Giuseppe Castellano


– por Luiz Carlos Freitas

Após alguns trabalhos menores e uma dúzia de episódios de séries para a Tv e tele-filmes, Paul Verhoeven estréia definitivamente no cinema com sua primeira produção “mais elaborada”, Negócio é Negócio, contando a história de duas prostitutas que ganham a vida no submundo do sexo em Amsterdã.

Greta (Ronnie Bierman) e Nell (Sylvia de Leur) são amigas de longa data que compartilham do mesmo desejo de se verem livres daquela vida e do violento e explorador Sjaak (Jules Hamel), namorado de Nell (e seu cafetão). Quando finalmente Nell conhece Piet (Piet Römer), um tímido cliente insatisfeito com seu casamento, ela decide largar tudo e mudar-se com Gerta para a distante Eindhoven, onde poderiam começar uma vida nova e esquecer de seu passado ‘sujo’. O problema é que, para conseguirem juntar o dinheiro necessário para viajar, elas têm de encarar qualquer tipo de “trabalho”, se deparando com os tipos e situações das mais bizarras possiveis.

Verhoeven, à partir de sua comédia com toques de pornô softcore, constrói uma crítica nada sutil ao conservadorismo dos Países Baixos à época. Por meio de uma caricatura a tintas fortes, faz de seus personagens representações diretas de duas camadas distintas dessa sociedade, usando um de seus maiores tabus: o sexo. Greta e Nell, as moças simples e de bom coração, são o dito “povão”, que precisa se rebaixar às fantasias mais loucas e perversas da clase burguesa (representada por seus clientes) para conseguir as condições mínimas de sobrevivência.

Mesmo não apresentando cenas de sexo explícito, as sequências de Greta e Nell com seus clientes não são menos bizarras que  as vistas em boa parte dos trabalhos posteriores do diretor, como Sem Controle, Louca Paixão ou O Quarto Homem. As duas fantasiadas de galinha para um strap on básico num sujeito vestido de galo, ou de enfermeiras para simular uma cirurgia num masoquista que acha que irá alcançar o orgasmo supremo no dia que for operado sem anestesia, ou até mesmo de professoras primárias para chicotear o caxias que sentia saudades dos “tempos de escola”; esses são apenas alguns dos exemplos de bizarrices que presenciamos junto à Greta e Nell.

Contudo, mesmo com um argumento interessante em mãos, a relativa inexperiência do diretor acaba fazendo de Negócio é Negócio uma série de escolhas equivocadas, como o senso de humor deslocado em alguns momentos e certa indecisão no trato dado à história (cenas dramáticas se confundem – de modo nada ‘orgânico’, diga-se – às que pretendiam ser engraçadas). No fim das contas, até mesmo a própria proposta se perde. Há uma crítica interessantíssima que, à exceção de alguns bons momentos (como a cena das senhoras no restaurante), não tem o menor aprofundamento, cenas de comédia por vezes sem graça e as cenas de sexo que, apesar de todo o clima bizarro, não servem nem para excitar aquele seu sobrinho de 16 anos que vive trancado no banheiro com catálogos de lingerie da Demillus.

Mas, claro, Negócio é Negócio vale como um ensaio do que viria a seguir, O Amante de Keetje Tippel e O Soldado de Laranja, trabalhos bem mais amadurecidos do diretor. Assista se for um admirador do holandês ou  se costumar ter acessos de curiosidade quanto ao louco, demente e bizarro (o que, no fim das contas, acaba dando no mesmo).

PS.: Em Portugal, a obra recebeu o título de Delícias Holandesas. Não sei vocês, mas eu ri mais disso que do filme em si.

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2/5

Negócio é Negócio (Wat Zien Ik) – Holanda, 1971 – Diretor: Paul Verhoeven – Elenco: Ronnie Bierman, Sylvia de Leur, Piet Römer, Jules Hamel, Bernard Droog, André van den Heuvel, Eric van Ingen, Trudy Labij, Ton Lensink

– Luiz Carlos Freitas

Certos diretores muitas vezes nem chegam a ter noção do alcance de algumas de suas obras. Ou será que Frank Darabont imaginaria que o seu primeiro trabalho na direção, uma trama de assassinato e vingança feita por encomenda para a TV, e que nem mesmo chegou a ser lançado DVD, alcançaria o status de cult algum dia? Bem, isso pode até não ser consenso entre o meio cinéfilo como um todo, mas os mais saudosistas irão concordar que, nos bons tempos em que a TV aberta ainda tinha algo a nos oferecer, as inúmeras reprises nas tardes (Cinema em Casa) e noites de Domingo (a finada ‘Sessão das Dez’) no SBT, fizeram de Sepultado Vivo um pequeno clássico para muitos.

O filme tem um argumento bem simples, com uma mulher ambiciosa que envenena o marido com a ajuda do amante (que é médico) para ficar com a sua fortuna. Porém, o veneno não é tão eficaz quanto se espera e o homem tem a “sorte” de despertar após ser dado como morto. Só que isso acontece com ele já dentro do caixão, depois de ter sido enterrado. Como a vadia de sua esposa quis economizar até no velório, o comprou um caixão de madeira estragada, o que acaba facilitando para que ele consiga escapar (na base da porrada).

O roteiro é básico e ‘redondinho’, e se não se preocupa em explicar muita coisa (por exemplo, por que ele não morreu? Por que o veneno – apresentado como extremamente fatal – falhou?), também não deixa pontas soltas. Boa parte da força vem mesmo do trio que encabeça o elenco e é focado na maior parte da projeção, Tim Matheson e Jennifer Jason Leigh, respectivamente marido e esposa, ainda engatando no início de suas carreiras, e William Atherton no papel do filho da mãe sedutor e sem caráter (pela ducentésima vez em sua carreira). Aliás, o personagem dele é de longe o mais interessante. Suas falas e feições carregadas de cinismo rendem alguns dos melhores momentos.

Mas o grande trunfo, sem dúvidas, era o então estreante Frank Darabont. Com alguma experiência no universo do terror, co-roteirizando A Bolha Assassina e A Hora do Pesadelo III, ambos de Chuck Russel, também admitiu ser um grande fã de Alfred Hitchcock e do universo dos filmes de terror “B” da década de 50 (tanto que seu último trabalho, O Nevoeiro, é uma clara homenagem a esse tipo de filme). Sem muitas firulas, ele consegue conduzir o filme de forma segura, com um clima de suspense que é mantido até os últimos minutos,  construindo alguns bons momentos de tensão, como quando ele “desperta” embaixo da terra, cavando com as mãos para sair antes de morrer soterrado, ou o clímax final, onde há o tão esperado acerto de contas na grande “casa-caixão”.

O filme, certo tempo após lançado, ainda teve seu título inexplicavelmente mudado para o extremamente imbecil Morto Mas Nem Tanto, não chegando a ser lançado em DVD, e restando atualmente no máximo algumas fitas VHS nas mãos de colecionadores. Aliás, provavelmente, Sepultado Vivo não mudou a vida de ninguém (como dito, talvez nem mesmo seus realizadores lembrem muito bem dele). Mas, assim como eu, muitos certamente o guardam na memória com um grande apreço e prova definitiva de que houveram, sim, bons tempos aonde a TV aberta ainda poderia ser considerada um sinônimo de diversão de qualidade.

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3/5

Sepultado Vivo / Morto Mas Nem Tanto (Buried Alive) – EUA, 1990 – Direção: Frank Darabont – Elenco: Tim Matheson, Jennifer Jason Leigh, William Atherton, Hoyt Axton, Jay Gerber

– por Luiz Carlos Freitas

Eu assisti a um filme do Eric Rohmer uma vez. E foi tão
empolgante quanto ver tinta secando numa parede.”

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A frase é do ator Gene Hackman em uma de suas falas no thriller Um Lance no Escuro, de Arthur Penn, e transmite bem a impressão de boa parte dos que têm um contato superficial (e imaturo, devo dizer) com a obra do diretor francês. O fato é que tal visão não é de todo surpreendente. O cineasta, um dos mais importantes da Nouvelle Vague francesa (e um dos editores da famosa Cahiers du Cinéma), ficou conhecido como um autor minimalista,  a começar por suas temáticas baseadas em acontecimentos dos  mais simples do cotidiano, como infidelidade ou solidão. Com um mínimo de cenários (e elenco idem), tal postura afirmava-se pelo seu uso da técnica, conduzindo tudo do modo mais simples possível, do posicionamento da câmera à edição. Rohmer colocava os atores em cena, eles começavam a falar (e falar, falar, falar …) e ele a filmar.  Ponto.

Porém, diferente do que se prega, os diálogos “intermináveis” (entre aspas para fugir do tom depreciativo) e a opção pela técnica mais  simples de seus filmes não o distancia de seus colegas de movimento artístico. Pelo contrário, os diálogos e passagens, tão afiadas quanto sutis, são responsáveis por uma brilhante [des]construção de seus personagens e motivações, tecendo uma teia condutora entre os acontecimentos concebendo àqueles momentos uma força descomunal em significado. Essas características estabeleceram notada unidade na obra do francês que menteve-se até seu último trabalho, Os Amores de Astrea e Celadon, de 2007. Entretanto, um de seus filmes mais citados (e sua estréia como diretor de renome) foge quase que totalmente disso.

O filme narra a tragicômica jornada de Pierre Wesselrin (Jess Hahn), um vagabundo que recebe a notícia do falecimento de uma tia e que, certo de estar entre os recebedores da herança, começa a gastar por conta, dando uma grande festa onde reúne todos os amigos para celebrar o acontecimento. Porém, após a comemoração vem a notícia de que ele havia sido deserdado e, portanto, não teria direito a receber um centavo sequer. Logo em seguida, é despejado de seu apartamento e, por ser em período de férias, seus amigos estão todos viajando e ele fica sem ter aonde ir, vagando sem rumo pelas ruas como um vagabundo.

Com uma montagem cheia de cortes rápidos, travelling‘s, grandes panorâmicas, um número bem maior de situações e personagens, trilha forte e demorados momentos sem falas, O Signo do Leão é um Rohmer diferente do habitual, mas não menos poderoso ao retratar temas essencialmente humanos, no caso aqui, a degradação do indivíduo. Mas a sua provavelmente maior característica já se fazia presente: a sutileza.

Um filme com essa premissa de tragédia  e um veio cômico tinha tudo para ser arriscado, uma vez que poderia pender ao pastelão ou ao melodrama muito fácil, não fosse a mão segura de seu diretor, que equilibra todos esses elementos de modo preciso. Há o humor, desde a “celebração” da morte da tia, onde ele discursa aos amigos sobre seu ‘dom de leonino’, sua provável predestinação à riqueza e ao sucesso (a ironia do título se mostra desde o começo), passando pelas sua tentativas frustradas de roubar comida nos restaurantes da cidade e culminando no final; mas a tragédia se faz presente em todos os momentos, e a trilha sonora atordoante de Louis Saguer reafirmam isso.

À medida que o filme avança, vemos a jornada do protagonista retratada pelo ambiente ao seu redor. Muros, postes, calçadas e praças vão ficando escuros, sujos; rachaduras aparecem e indivíduos dos mais insensíveis pioram ainda mais sua sensação de desolação. Como se a paisagem da cidade fosse um quadro pintado pela alma de Pierre, que vai se mostrando mais baixa e vil à medida em que ele desce em sua escala social. Ou seria o inverso? Não seria Pierre um reflexo de toda a sujeira do meio aonde vivia? O nível de baixeza é tamanho em certa altura do filme que fica impossível dissociar causa e causador.

Ao final da projeção, a conclusão  um tanto ‘apressada’ e demasiada complacente com seu protagonista vagabundo pode decepcionar um pouco, mas seu brilhante desenvolvimento não deixa que o interesse do espectador se perca. É um grande  filme que fica ainda maior se lembrarmos que estamos diante do início da carreira de um dos grandes (e mais subestimados) gênios que o cinema já viu.
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PS.: Atentem a uma pequena participação não-creditada do cineasta Jean-Luc Godard na cena da festa de Pierre, logo no começo, como o sujeito esquisitão que fica manipulando a vitrola.

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4/5

O Signo do Leão (Le Signe du Lion) 1959, França – Dir.: Eric Rohmer – Elenco: Jess Hahn, Michèle Girardon, Van Doude, Paul Bisciglia, Gilbert Edard, Christian Alers, Paul Crauchet, Jill Olivier, Sophie Perrault, Stéphane Audran, Jean Le Poulain, Jean-Marie Arnoux, Gaby Blondé, Daniel Crohem, Jean Domarchi

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– por Luiz Carlos Freitas

De Palma sempre foi um cineasta de vanguarda. E apesar de notada irregularidade em sua filmografia, todos os seus filmes (até mesmo os piores) têm algum mérito, mostras de sua inventividade. Em Irmãs Diabólicas, seu primeiro filme de reconhecimento mundial, ele já dava mostras do grande cineasta que viria a ser futuramente. O filme tem um argumento bem simples, começando com um assassinato e convergindo rapidamente para uma trama mais sombria e “doente” (característica de quase tudo que o De Palma lançou na década de 70), envolvendo investigações e psicoses.

Danielle Breton (Margot Kidder) envolve-se com Phillip Woode (Lisle Wilson) e, após um jantar conturbado, com direito à briga com seu ex-marido, Emil Breton (William Finley), leva-o até sua casa onde passam a noite juntos. Na manhã seguinte, após discutir com uma mulher misteriosa (a qual descobrimos ser Dominique, sua irmã gêmea) enquanto Phillip ainda dormia, e ter uma misteriosa crise por falta de seus remédios, ela o esfaqueia brutalmente até a morte (numa cena realmente assustadora).

Entretanto, Grace Collier (Jennifer Salt), sua vizinha, assiste de tudo pela janela da frente e chama a polícia, que vai ao local mas acaba não encontrando nada, uma vez que os Emil aparece e limpa o local, tirando todas as evidências e escondendo o corpo antes que os investigadores cheguem. Grace, revoltada (e após ser chamada de “louca” pelos policiais) resolve partir pra uma investigação por conta própria.

A premissa é até interessante, no entanto seu desenvolvimento pelo roteiro deixa a desejar. A entrada efetiva de Grace na trama, com sua investigação por conta própria, faz o ritmo cair um pouco, mas nada relevante. Em suas investigações sabemos mais sobre a origem de Danielle e Dominique, além de entendermos a participação de alguns personagens importantes na trama. Suas investigações a levam (literalmente) ao inferno.

A bem da verdade, o roteiro é o que há de menos importante aqui. Com um bom argumento, porém mal trabalhado, sem os aprofundamentos de algumas questões, e até mesmo alguns furos, o grande trunfo de Sisters é ver o De Palma começando a demonstrar sua habilidade no domínio da tensão em cena, criando atmosferas de puro pavor. Fazendo uso do split screen, técnica onde a tela é “dividida” ao meio, temos o pedido de socorro da vítima após o esfaqueamento por dois pontos de vista, de Danielle, dentro do quarto, e de Grace, de sua janela, permanecendo enquanto Danielle e Emil limpam a cena do crime e Grace liga para a polícia e segue ao apartamento dos dois.

A cena é breve, pouco mais de quatro minutos, mas o suficiente para nos fazer tremer na cadeira. E são nesses poucos minutos que percebemos que o talento do De Palma para construir e brincar com situações de tensão extrema é algo realmente nato. O “pesadelo” próximo ao final é realmente assustador, sem dúvida alguma o melhor momento do filme, e figura entre os mais brilhantes de sua carreira (o desfecho na “maca” é também, fácil , um dos seus mais doentios). Além disso, pouco antes do crime, há uma brilhante edição que alterna Phillip comprando um bolo para sua nova “amada” e Danielle ao chão, em um colapso nervoso. O contraste fica ainda maior com a grande trilha de Bernard Herrmann (genialíssima, por sinal – remete bastante às trilhas dos grandes clássicos de horror da década de 50).

Outro mérito do filme é sua curta duração. Com menos de uma hora e meia, as limitações do roteiro não se fazem muito evidentes. O tempo é apenas o suficiente para permanecermos envolvidos nos acontecimentos e, completamente tensos, contando os minutos até a revelação final, que se não é das mais originais e “inesperadas”, funciona perfeitamente bem (e ainda nos guarda uma pequena “surpresa” carregada do humor negro característico desse seu início de carreira).

Destaque também às sempre presentes referências a Hitchcock, desde Danielle sentada no sofá onde o cadáver está escondido enquanto os policiais revistam sua casa (alguém lembrou do baú de Phillip e Brandon em Festim Diabólico?), passando por Janela Indiscreta (Grace e seus binóculos enquanto seu detetive revira a casa do Breton), além da mais direta e evidente de todas: Psicose (que fica bem mais clara quando temos completa certeza de quem é o assassino). À exceção de Festim Diabólico, os outros dois seriam revisitados posteriormente na filmografia do diretor (e de forma muito mais elaborada), respectivamente em Dublê de Corpo (1984) e Vestida Para Matar (1980).

Mesmo com seus defeitos, Sisters é um bom filme. Não fica entre os melhores do diretor, mas certamente é um fantástico início de carreira (que nem era tão “início” assim, já que ele havia feito outros quatro filmes antes desse) e, aliás, início de uma grande e, mesmo com tantos altos e baixos que estariam por vir, brilhante carreira.

3/5

Irmãs Diabólicas (Sisters) – 1973, EUA – Dir.: Brian De Palma – Elenco: Margot Kidder, Jennifer Salt, Charles Durning, Bill Finley, Lisle Wilson, Barnard Hughes, Mary Davenport, Dolph Sweet, Cathy Berry, Olympia Dukakis, Bob Melvin, Burt Richards, Sealo.