– por Peter van der Stoocke

Entre as comédias mais comentadas do ano passado, Missão Madrinha de Casamento é basicamente uma versão estendida do lendário Saturday Night Live (uma espécie de Zorra Total, porém consideravelmente melhor, no ar desde 1975), com esquetes de comédia orbitando ao redor da um arco central. Kristen Wiig interpreta Annie, uma garota na casa dos trinta anos, solteira, pobre e sem perspectivas que, para anestesiar-se de sua baixa auto-estima, rasteja até a cama de Ted (Jon Hamm, o herói de Mad Men) em busca de companhia. O problema é que Ted é meio babaca, e a transa dos dois acaba conseguindo deixar Annie ainda mais deprimida.

O lance é, a melhor amiga de Annie vai casar, e a corrida para a preparação do casamento é o estopim para todas as loucuras e gags que Wiig, ao lado de um forte elenco de apoio (todas mulheres na faixa dos trinta anos, provenientes de programas de tv), terão oportunidade de fazer.

É o mesmo estilo de comédia regular de Se Beber, Não Case, com personagens de forte personalidade e individualidade que têm todo o potencial cômico extraído até a última gota através de situações que existem no limiar entre a comédia e o desprezível. É algo que as comédias de tv americanas têm se especializado em construir, uma espécie de surrealismo pop auto-crítico, o qual Tina Fey (criadora de 30 Rock, escreveu o cult Garotas Malvadas) e Amy Poehler (Parks and Recreation) parecem ser as principais expoentes.

E Wiig consegue emular esse surrealismo de situação em algumas partes do filme (como nas excelentes cenas do avião ou da briga com uma adolescente na joalheria), mas submete esse comédia à um roteiro pouco original, formulaico. A espiral de desventuras que sua personagem sofre até terminar sozinha e infeliz, para então redimir-se por razão de um relacionamento antigo é exatamente o mesmo mote de filmes como Entrando Numa Fria, Quem Quer Ficar Com Mary, ou até Curtindo a Vida Adoidado. Além disso, o chick flick romance com o messiânico policial Rhodes (Chris O’Dowd) nada mais é do que uma travestida comédia cansada de gênero.

Há comentários a respeito do filme garantindo que Missão Madrinha de Casamento não é mais um chick flick. Bom, na verdade é. É exatamente um chick flick, com mais peidos, vômitos e palavrões. Não tem a acidez de um Garotas Malvadas, por exemplo, mas poderia ter, porque a Wiig (que escreve ao lado da estreante Annie Mumolo) certamente é capaz.

No processo de criação do filme, portanto, Wiig deve ter se infectado com a baixa auto-estima da personagem que interpreta, pois não teve confiança pra seguir com um projeto que fosse crítico e original. Missão Madrinha de Casamento, por ter essa dinâmica episódica típica das esquetes de Saturday Night Live, possui partes engraçadas, especialmente quando está livre para poder ir para onde quiser (o começo é especialmente interessante, já que não tem uma história acontecendo ainda); quando a comédia serve à trama, no entanto, é pouco inspirada, bastante ridícula e exagerada na maioria das vezes mesmo.

2/5

Ficha Técnica: Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids) EUA, 2011. Direção: Paul Feig. Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Melissa McCarthy, Chris O’Dowd, Ellie Kemper, Wendi McLendon-Covey, Rebel Wilson, Jon Hamm.