Uou, pra alguém que é viciado em filmes trash, eu tive uma dificuldade imensa de fazer esse top aqui. Acho que todas as decapitações explícitas de todos os explotations me escaparam da mente. Sejam como for, poucas coisas na vida possuem aquele fôlego de vigor que te dá vontade de sair dando cambalhotas pela rua. Uma hora de academia, um banho quente depois de um dia de trabalho, uma bela cabeça artesanal saída de algum armazém de efeitos especiais de filmes-b. Mas tem uma diferença entre colocar uma cabeça sem corpo num filme e saber usá-la. Eis as cinco melhores que consegui resgatar de memória.

05. A caixa, de Se7en

Uma reviravolta que completa o círculo de crimes do sociopata vilão de Se7en, grande suspense de David Fincher; os olhos do espectador sempre brilham com a maldade do vilão interpretado por Kevin Spacey, e com a criatividade dos roteiristas do filme de serem capazes de criar tamanha surpresa, completamente dentro de um contexto na história do filme. O crime contra a personagem de Patrow era necessário e cruel, e faz, portanto, completo sentido.

04. Os rostos de Face/Off

John Woo pirádasso, fazendo um trhiller de ação mega convencional com uma ficção científica tão absurda e inacreditável. Não é dos melhores e mais plausíveis recursos narrativos que se tem por aí, mas é divertido e completamente louco, como o cineasta. E também, poucas coisas conseguem ser tão legais quanto o faceless Nicholas Cage fumando um cigarrinho. Cool.

03. A caixa de Barton Fink

Embora Joel e Ethan Coen não revelem o conteúdo da misteriosa caixa que pertence a Barton Fink, no filme homônimo, é bastante plausível supor que seja a cabeça de um dos personagens recém-falecidos naquele ponto da história. E mesmo que seja apenas isso, dentro da narrativa de Barton Fink, o objeto assume proporções enigmáticas que revelam o caráter (ou a falta de) de seu protagonista. O filme e a cabeça sem corpo, ambos obscuros e intrigantes.

02.  Cabeças falantes de Trauma

Só existe um cineasta que consegue sintetizar, dentro de um mesmo filme, o supra-sumo do trash – cabeças decapitadas que falam – e o que de mais fino e requintado o cinema pode oferecer – talvez as impressionantes steadycams no clímax de Trauma, ou talvez toda a estética de violência e paixão que todos os filmes desse cineasta possui. Dario Argento é um verdadeiro mestre, que mesmo em má forma (Trauma não chega perto de suas maiores obras), conseguem maravilhar.

01. Alfredo Garcia em Traga-me a Cabeça de Alfredo Garcia

O sol do deserto mexicano, a carne da cabeça em lenta e sofrida decomposição. Uma cabeça sem corpo é intragável, deselegante, um pedaço incômodo de carne mórbida e sem vida, entregue aos vermes e moscas. Não há glamourização em Traga-me a Cabeça de Alfredo Garcia, ali está o corpo como ele realmente é.

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