Desde a sua invenção, os carros passaram a fazer parte do imaginário do cidadão comum. Esse imaginário constitui desde um mercado que movimenta milhões e milhões de dólares por ano até um sem número de filmes que exploram ruas e estradas com automóveis possantes – em uma autêntica herança dos primeiros  “filmes de perseguição” que a montagem paralela de Griffith permitiu fazer quando o cinema ainda era um bebê e que foi seguida em grande parte dos filmes de gênero, num um tipo muito particular de cena passou a ser pré-requisito para que obras de determinados filões acontecessem – isso quando não eram filmes inteiros sobre carros e fugas.

E deu certo; hoje são poucos os jovens moradores de metrópoles que nunca sonharam em pegar um carro e sair dirigindo por ruas e estradas em velocidade absurda. Os jogos da série Grand Theft Auto que o digam.

5 – À Prova de Morte, de Quentin Tarantino

Em uma homenagem aos filmes de perseguição sobre rodas que adorava assistir quando era moleque,  Tarantino, o americano mais relevante do cinema recente, extravasou toda a sua tara por mulheres ousadas e carros angulosos e velozes. O último ato de À Prova de Morte é um pega pra capar dirigido de forma maníaca e angustiante, com a dublê Zöe Bell, em sua grande participação como atriz em um filme, amarrada (de verdade, sem trucagens ou computação gráfica) a um carro sendo ameaçado pelo monstro motorizado  “à prova de morte” do Dublê Mike interpretado com muita coolness por Kurt Russell.  O filme acelera tudo que não havia acelerado até então e termina, junto com o filme, de forma irônica e porradeira. Coisas de Tarantino.

4 -Bullitt, de Peter Yates

Indispensável em qualquer lista do gênero, a cena em questão dura mais de nove minutos, porém nunca perde o fôlego e já vale o filme inteiro – ainda que o mesmo seja excelente.  Em pleno 1968, McQueen e Peter Yates juntos foram responsáveis por cravar no imaginário cinéfilo um Mustang e um Dodge saltando em alta velocidade pelas ruas de São Francisco. Mesmo entre quem não viu Bullitt, a cena já uma referência inconteste  e é difícil alguém não conhecê-la.

3 – Encurralado, de Steven Spielberg

O maníaco jogo de gato e rato de Steve, descrito pelo mesmo como “Os Pássaros sobre rodas” tornou o que era para ser uma mera produção rápida, barata e rasteira em um cult movie. Dennis Weaver é perseguido sem explicações por um hábil motorista de caminhão que carrega produto químico inflamável. Ainda que às vezes Spielberg “pare a narrativa”, há pelo menos 3 ou 4 grandes momentos de roer as unhas .

2 – Operação França, de William Friedkin

Sem delicadeza nenhuma, Friedkin, o mais maluco e extremo dos cineastas da Nova Hollywood, dirigiu Operação França em 71 transformando o que era projeto estético de gente como Robert Altman, Dennis Hopper e Arthur Penn em realidade; filme seco e bruto, com sua fotografia granulada e suja concedendo um ar realista extra para as locações do filme. O momento mais impressionante, é claro, é a perseguição feita pelo policial Popeye Doyle no meio de uma New York em plena atividade. A sensação de caos urbano poucas vezes foi tão bem representada. Que foi feito na cara e na coragem, sem truque algum, é perceptível logo a primeira vista. E Friedkin ainda iria filmar outra perseguição tão insana quanto essa em Viver e Morrer em Las Vegas…

1 – Corrida Contra o Destino, de Richard C. Sarafian

Definitivo; aqui, Sarafian criou toda uma bíblia de estilo. Obra contracultural, onde um hábil e alucinado motorista foge da lei e vira herói dos oprimidos, redefiniu o jeito de filmar uma perseguição sobre rodas. A montagem griffithiana de construção de ação poucas vezes foi reproduzida de forma tão vertiginosamente frenética. Pode-se dizer que Corrida contra o Destino (ou Vanishing Point, como preferir)  não tem uma ou duas, mas as grandes perseguições sobre quatro rodas estão todas aqui.

Menções honrosas: Os Irmãos Cara-de-Pau, de John Landis;  Viver e Morrer em Los Angeles, de William Friedkin; Fuga Alucinada, de John Hough; Corrida da Morte – Ano 2000, de Paul Bartel;.

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