Não foi fácil – a nossa primeira e mais otimista das previsões era algo sobre “segunda semana de dezembro” – mas saiu, e cá estamos, mais de 2500 visitas depois, com mais um especial entregue, contemplando a filmografia desse mestre do horror e do sci-fi; do bizarro e do belo que é David Cronenberg. E para encerrar, os tops da equipe que fez este especial acontecer, Bernardo Brum, Luiz Carlos Freitas, Guilherme Bakunin e Michael Barbosa e também o espaço para vocês postarem os seus.

– Equipe

Michael Barbosa

  1. VideodromeA Síndrome do Vídeo – É Cronenberg fazendo análise social enquanto cria algumas das imagens mais impressionante que eu já vi. Um ataque a alienação que continua atual e maduro, tudo isso com todas as etiquetas que são peculiares ao cinema do diretor
  2. Senhores do Crime – Porque é aqui que temos o ápice do amadurecimento de um artista, um diretor que mesmo distante do seu habitat natural (o sic-fi e o horror) ainda impressiona e ainda sabe como deixar sua marca. Mais do que um filme de máfia, uma inserção cuidadosa e social nas entranhas de um submundo e sua capacidade de afetar violentamente tudo que está ao seu redor.
  3. Marcas da Violência – Pelas cenas de sexo que vão muito além do óbvio e falam quase tudo sobre os dois sujeitos dentro do protagonista, pelo construir e desconstruir, pela capacidade de Cronenberg de mostrar sua força seja onde for.
  4. Gêmeos – Mórbida Semelhança – Dois em um; os irmãos Mantle são daquilo que já vi de mais complexo em termo de construção de personalidade dentro daquelas tais duas horas do cinema. Somos apresentados a uma enxurrada de neuroses e desvios comportamentais que juntos formam um panorama único do que há de mais doentio nas nossas mais obscuras facetas.
  5. Mistérios e Paixões – A ousadia da adaptar Burroughs e a coragem de demonstrar o mesmo desprezo pelo ortodoxo. Um fiapo narrativo, ou talvez menos, é o que Cronenberg precisa para ir amarrando delírios e entregar mais um trabalho único.

Bernardo Brum

  1. Crash – Estranhos Prazeres – Bizarro e ousado em sua narrativa aberta e cheia de arestas, lançando simbolismos de sexo e morte na tela o tempo todo, Crash é a obra-prima de Cronenberg: um mergulho racionalizado no lado selvagem e pervertido do ser humano.
  2. A Mosca – A grande adaptação de Kafka para o cinema, de forma não oficial. Todo o espírito opressivo, pessimista e revolucionário estão ali, pela ótica escatológica poderosa de Croneneberg.
  3. Gêmeos – Mórbida Semelhança – A questão mais incisiva da obra de David sobre a identidade. É bem menos gráfico do que o esperado normalmente pelo diretor, mas tão perturbador quanto os outros
  4. Videodrome – A Síndrome do Vídeo – um dos filmes mais genuinamente insanos e absurdos do cinema, que simboliza tudo que Cronenberg é: exagerado, crítico, visceral e lúcido, tudo ao mesmo tempo.
  5. Mistérios e Paixões – É Cronenberg provando ser o único capaz de adaptar Burroughs decentemente e não apenas adaptar mas também complementar o material original.
Guilherme Bakunin
  1. Marcas da Violência – Violento, objetivo, intenso. O bizarro característico do diretor existe em níveis obscuros, psicológicos. Hitchcock e Peckinpah se juntam numa história de Cronenberg sobre um homem comum que é posto à prova por circunstâncias e se rende através do sangue.
  2. Senhores do Crime – Nossa, nem lembro.
  3. Mistérios e Paixões – Tem essa mistura louca e ácida de noir com faroeste com a alucinação coletiva do sexo e das drogas dos anos setenta e com aquelas coisas corporais extrasensitivas ou algo assim dos anos sessenta e enfim, é beatnik na tela.
  4. Videodrome – Nossa, nem quero falar.
  5. Scanners – Mais pra completar os cinco, apesar das sequências sensacionais de violência brega da década na qual se insere, no uso da música como catalisador emocional e daquele confronto final, visceral e direto, seco e sei lá, faz você repensar tudo que já se fez a respeito de ação no cinema, televisão, etc.
Luiz Carlos Freitas
  1. Videodrome – Uma das mais perfeitas metáforas visuais e metalinguisticas sobre o poder da mídia já feitas pelo cinema. Além, claro, de ser um espetáculo visual desses que só o Cronenberg sabe como proporcionar. Uma obra-prima significativa e visualmente atemporal;
  2. A Mosca – Uma perfeita [des]construção de personagem que faz uso do que a ciência enquanto argumento base tem de mais nojento para abordar a baixeza e degradação mental do ser humano como elemento primário de sua existência. E tem a Genna Davis, dentuça mais sexy de todos os tempos, pagando peitinho;
  3. Crash – Estranhos Prazeres – O que esperar de um dos gênios mais doentes do cinema fazendo um filme sobre perversões sexuais que envolvem mutilações, morbidez e a Rosanna Arquette com os peitos de fora? Obra-prima, simples;
  4. Mistérios e Paixões – Um quadro noir pintado com tinta de chá cogumelo. SIm, eu acho que isso significa que é genial;
  5. Senhores do Crime – Não gosto, mas a equipe paga pau e tenho de elogiar pra manter meu emprego não-remunerado nesta instituição cinéfila-virtual.
fim do especial –