– por Guilherme Bakunin

Stereo é o debut de David Cronenberg. Basicamente desenvolve-se a partir de sucessivas imagens mudas, de sequência desconexa, e uma narração monóta em off, aparentemente de vários cientistas, que relatam os resultados e conceitos de uma experiência: um grupo de oito pessoas é enclausurado em um sítio científico e são destituídas de sua capacidade de fala. Os cientistas aparentemente pretendem registrar as formas como esse grupo vai se relacionar.

Eu não quero estabelecer nenhuma verdade aqui, e acho que falo apenas por mim mesmo quando digo que isso não é cinema. Não é cinema porque não parte dos pressupostos da linguagem cinematográfica pra funcionar. As imagens não nos dizem nada, e mesmo os diálogos, que não deveriam ser as bases de filme nenhum, também não são inteligíveis. Surpreendemente, devo admitir, não é um filme difícil de se assistir. É curto, o tempo passa rápido, e visualmente é um trabalho de fotografia magnífico, o que geralmente não ocorre com o Cronenberg.

Mas é isso. Quase não é um filme. Tá mais pra um comercial de sabonete ou prum vídeo admissional. Ou praquelas coisas incompreensíveis que o Andy Warhol filmava.

0/5

Ficha técnica: Stereo – Canadá – 1969. Dir.: David Cronenberg. Elenco: Ronald Mlodzki, Jack Messinger, Iain Ewing, Clara Mayer, Paul Mulholland, Arlene Mlodzik, Glenn McCauley.

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