Certamente todos nós enfrentamos um doloroso dilema na noite de ontem, 27 de fevereiro de 2011. Assistir ao Academy Awards, evento anual que prestigia o cinema mainstream americano, ou o fabuloso Big Brother Brasil, melhor programa da televisão aberta brasileira, que traça um olhar emocional sobre as relações sociais em blocos confinados? Apesar de que desde de 2008, quando Sangue Negro e Onde os Fracos Não Têm Vez lutavam pelo prêmio, o Oscar não nos prestigia com boas vitórias e sequer boas indicações, a gente persevera, pra entrar no ritmo da festa e nos embriargarmos, pelo menos naquela noite, em toda a loucura da política que rege o cinema nos Estados Unidos.

Bom, dane-se. Assistimos perplexos a Wally Pfsiter (A Origem), sem o menor pudor, levantar-se e assaltar ao nosso bom velhinho Roger Deakins, fotógrafo de carteirinha de Joel e Ethan Coen (claramente entediados com a festa, desejando estar em outro lugar pelo amor dos deuses), favorito para o prêmio (Bravura Indômita). Vimos Alice No País das Maravilhas pegando Figurino e Direção de Arte, deixando bem claro que ainda vai levar algum tempo pras pessoas perceberam que Tim Burton não é mais autor. Choramos com Kirk Douglas mostrando que a vida é realmente uma merda, porque ele está pateticamente velho (e, sabem, ele ainda sim, sabem, conseguiu ser o melhor, sabem, momento da noite) e porque ele deu o prêmio da Melissa ‘sim-eu-bebo’ Leo (O Vencedor, dirigido pelos Los Hermanos), tirando o glamour da nossa Hailiee eterna em nossos corações.

Banksy (Exit Through the Gift Shop) perdeu pra Inside Job, documentário sobre polí-zzzzzzzzzzz-tica eco-zzzzzzzzzzzz-nômica. O filho perdido de Roberto Benigni foi lá receber o prêmio pra melhor curta-metragem (God of Love), rendendo outro momento que não deu sono na cerimônia. Os outros curtas a gente não liga. Animação foi pra Toy Story 3, esse filme da Pixar, que é realmente, como disse Lee Unchester, o melhor lugar para se fazer filmes no planeta (bom, na verdade eu não sei como é fazer filmes na Pixar, mas certamente é muito bom ver seus filmes), que é o melhor filme do ano.

Os prêmios para roteiro foram bem óbvios também. Discurso do Rei e Rede Social. Legal ver o Aaron Sorkin, o gênio por trás de The West Wing (assistam séries, caras!) recebendo o Oscar, falando que não é gay, etc. Rede Social também ganhou edição, como não poderia deixar de ser, e trilha sonora original, deixando o Hanz Zimmer (A Origem) pra trás.

Os atores foram óbvios também. Bale e Leo por O Vencedor, Firth por O Discurso do Rei, e Natalie Portman, a estrela da noite, que teve a decência de não fingir que foi uma surpresa ganhar o prêmio (alou, Melissa Leo). Eu pessoalmente acho que a Jennifer Lawrence poderia ter vencido sem prejúizo algum, mas né, deixa a Portman que o ano foi dela.

Agora aqui o negócio fica sério. Porque beleza, Crash venceu melhor filme, mas pelo menos tiveram a decência de premiar a melhor direção indicada. Mas em 2011,Tom Whooper pegou o caneco, deixando David Fincher estarrecido. O que é que o cara tem que fazer pra ganhar o careca, Deus? E o que é que vai fazer a academia deixar de ser tão idiota? Porque Hooper não dirige o filme, ele tipo liga as câmeras, manda o cameraman colocar as lentes e o fotógrafo ligar a luz. É um negócio mecânico, sem paixão, sem criatividade.

Como os prêmios principais, a cerimônia foi uma porcaria, cheia de piadas sem graça, James Franco e Hattaway constrangidos diante duma plateia que provavelmente não dá mais importância pros prêmios do que pro tapete vermelho.

2/5, to zoando.

 

– O Discurso do Rei (2010) – Mike Dias [3/5]

 

– Inverno da Alma (2010) – Guilherme Bakunin [5/5]
– Cisne Negro (2010) – Bernardo Brum [5/5]
– Bravura Indômita (2010) – Bernardo Brum [5/5]
– Toy Story 3 (2010) –  Mike Dias [5/5] (melhor filme da história)
– A Origem (2010) –  Mike Dias [4/5]
– Minhas Mães e Meu Pai (2010) – Bernardo Brum [4/5]
– O Vencedor (2010) – Allan Kardec Pereira [4/5]
– A Rede Social (2010) – Guilherme Bakunin [3/5]
– Minhas Mães e Meu Pai (2010) – Guilherme Bakunin [2/5]
– 127 Horas (2010) – Guilherme Bakunin [1/5]

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