por Guilherme Bakunin

Eu acredito que Minhas Mães e Meu Pai tenha o propósito bem claro de falar a respeito dessa dinâmica social em que duas mulheres são perfeitamente capazes de formar uma família, uma família que não possui nada de muito especial, a não ser pelo fato de que são duas mulheres mesmo. Todos os problemas que o filho, as mães e a menina, terminando no clássico ‘mãe(s), tou indo pra faculdade’ já foram feitos, refeitos, vistos. No cinema, na televisão, na nossa vida. É tão importante mostrar essa normalidade cotidiana, que a diretora Lisa Cholodenko, que honestamente eu nunca ouvi falar na minha vida, faz questão de quase não mencionar homossexualismo.

Aí entra o dilema a respeito  do filme: a história abusa de clichês e de normalidade com o óbvio objetivo de ressaltar a normalidade de uma relação homossexual. Mas ainda sim, o filme se baseia em pressupostos batidos e pouco  criativos. E aí, é bom ou ruim? O que vai fazer o espectador ficar sentado durante cem minutos assistindo ao filme? O que o filme de Lisa Cholodenko oferece ao público além de sua premissa?

Aparentemente nada. Uma história sem gosto e sem cheiro que fala sobre como Jules (Julianne Moore) começa a se sentir subjulgada pelo sucesso profissional de sua parceira, Nic (Annette Bening) ao passo que seus dois filhos, Laser (Josh ‘abc-do-amor-ponte-para-terabithia’ Hutcherson) e Joni (Mia ‘alice-no-país-das-maravilhas’ Wasikowska) conhecem o seu pai, Mark ‘doei-esperma-sou-vegan-e-namoro-uma-pretinha’ Ruffalo. E entrada do personagem de Ruffalo na vida da família vai desestruturar as bases tida como sólidas nas relações entre mães e filhos, trazendo à tona as incertezas de Jules em relação a sua própria vida e ao casamento, e a suposta necessidade dos filhos de uma figura paterna.

Mas não se preocupem, o estrago não vai ser muito grande. Eventualmente Anettão vai mandar Mark Ruffalo de volta pro seu flat no coração ecologicamente correto de Los Angeles, vai perdoar a esposa, vai mandar a filha pra faculdade, e vai continuar transando pela casa ao som de Joni Mitchell, regada a pornografia homossexual masculina, vinho do porto e modernidade. Eu não sabia que o filme era tão ruim antes de começar a escrever isso daqui. Diante de uma folha em branco, a gente acaba percebendo que até pra criticar o aborto de Lisa Cholodenko é vazio e preguiçoso. Enquanto a gente assiste, é bem possível se deixar levar pela ilusão de que se trata de uma história bacana, porque o elenco interage muito bem, o grupo de atores é excelente, mas acredito que diante dum olhar -um pouco- mais crítico, o filme não se mantém em pé.

2/5

Ficha Técnica: Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right) – EUA, 2010. Dir: Lisa Cholodenko. Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson, Yaya DaCosta.

ou aqui: – Minhas Mães e Meu Pai (2010) – Bernardo Brum [4/5]

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