Seguem-se os tops e pequenos reviews sobre os melhores filmes da década de acordo com a opinião de cada membro.

Guilherme Bakunin

1. Embriagado de amor

O conto de redenção e superação de Paul Thomas Anderson dedicado aos talentos do subestimado Adam Sandler resultou no trabalho mais autoral de Anderson – certamente o mais livre e mais ousado. As luzes super expostas e os ruídos acentuam nosso desconforto e expressionisticamente nos conduz diretamente para o centro do seu personagem, que começa como uma personificação da tristeza mas que a duros golpes conquista a harmonia na sua vida, sob a forma de um órgão e da Emily Watson.

2. Sinais

M. Night Shyamalan foi responsável por muitos grandes filmes de suspense na última década, mas Sinais provavelmente é o maior deles. Os níveis de identificação são aqui maiores, pois o diretor realmente insere o espectador no cotidiano daquela família que, juntamente com o mundo, vai superar o apocalipse da perda.

3. Kill Bill

Kill Bill é o infilmável; um delírio de proporções épicas que paga tributo a tudo que de mais criativo e libertador o cinema de baixo orçamento em diversas partes do mundo produziu. É a vitória definitiva da arte sobre os interesses mercadológicos no cinema. Foi em si um sucesso de público, porque Quentin Tarantino sabe que não existem limites para o que o público pode absover quando em contato com uma história realmente bem contada. Tarantino disse que Kill Bill serviria para explorar os limites de seu talento. De acordo com o que vimos, esse talento parece ser inesgotável.

4. O homem que não estava lá

Assim como os três filmes acima, O homem que não estava lá é uma história sobre a redenção. A rendeção de um homem de personalidade suprimida pelo sistema, pelo cotidiano, por extra-terrestres, por todas as coisas. É a voz daqueles que não possuem nada pra falar. É a ode de Joel e Ethan Coen ao homem comum.

5. Amantes

Uma drama romântico sufocante sobre a catarse do desamor na vida de um personagem, Leonard que, abandonado pela noiva, torna-se depressivo suicidade e se envolve em duas relações amorosas, uma com Sandra, a mulher ideal que possui o gosto da família e a outra com Michelle, uma mulher empolgante que transporta Leonard para universos até então desconhecidos. Michelle abandona Leonard, e ele se casa com Sandra, num dos finais felizes mais tristes do cinema.

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Bernardo Brum

1. Sangue Negro

Ambição. Ganância. Dinheiro. Fé. Tudo isso está no  anacrônico épico de três horas de Paul Thomas Anderson, um monstro sem comparações no cinema atual. Erguido à base de atuações paradoxalmente histéricas e introspectivas, música estranha, uma fotografia que combina a escuridão do petróleo e da mente dos seus personagens com o deserto escaldante de seus espíritos, essa é uma saga simbólica, um Huston atravessado com Altman, sobre a própria história dos Estados Unidos no último século e sobre os indivíduos desesperados que viveram nesse tempo. Obra-prima irretocável, corajosa e maldita, com os elementos dramatúrgicos e estéticos combinados numa das narrativas  mais impactantes já surgidas.

2. Bastardos Inglórios

Filme-fábula de Tarantino, um hilário filme de propaganda anti-nazista que apesar do título que remete ao Assalto ao Trem Blindado de Castellari, foi feito nos moldes do spaghetti western de Sergio Leone. Aqui o cinema mentiroso do diretor alcança seus níveis mais cara-de-pau, fazendo um filme a partir de um acontecimento real para alterar completamente seus cursos. Segundo Fellini, para o cinema tudo vira natureza-morta. Para Tarantino, inclusive a história. E ele ainda cria um dos melhores clímaxes dos últimos trinta anos…

3.  Oldboy

Pois vejam só. Ao contrário do que muitos críticos falavam , o grande Oldboy provou que sim, violência hipergráfica e referências culturais populares podem ser combinadas com grande sofisticação e psicologização intensa. Filme que se utiliza das mais variadas linguagens – da câmera da mão ao videogame, da música erudita ao pop – para compôr uma epopéia brutal e multifacetada, orgulhosamente anacrônica em relação ao resto do cinema feito hoje em dia. Um dos poucos filmes que merecem o adjetivo “visceral”.

4. O Hospedeiro

Se você tem algo para dizer para o mundo e ninguém tá muito afim de escutar, faça um contrabando: utilize de um gênero para falar desses problemas. Foi o que Bong Joon-Ho fez, utilizando os filmes de monstros gigantes para discutir como o homem está solitário e desesperado mesmo vivendo em multidão. Trágico, cômico, exagerado, histérico e intenso do início ao fim.

5. Todo Mundo Quase Morto

Esqueça aquelas besteiradas de zumbis maratonistas. A verdadeira revolução do subgênero veio com essa genial comédia inglesa que após anos de filmes insípidos retornou ao ponto principal dos mortos-vivos de Romero: que o ser humano por si próprio já é um zumbi condicionado – e basta um empurrão (ou um vírus!) para começar a comer carne humana. Tenso e hilário ao mesmo tempo, a obra-prima de Wright é corrosiva e ácida até último segundo, e com certeza sua mistura de crítica social com piadas nonsense sobre vinis, maconha, rap e cerveja ainda será de grande impacto por muito tempo ainda.

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Allan Kardec Pereira

1 – Encontros e Desencontros

Interessante estudo da solidão em meio à uma reluzente metrópole, nesse filme de Sofia Coppola há de tudo para quem se identifica com algum dos personagens. A construção paciente dos nossos dois protagonistas acaba por nos levar a um dos mais belos desfechos do cinema recente. Lindo e sensível.

2 – Paranoid Park

Van Sant entra no mundo daqueles skatista e parece importar apenas em observá-los, sem julgamentos morais. Esse baita filme é uma semi-versão de Crime e Castigo, onde veremos um personagem definhar psicologicamente. Tudo isso através do interessante domínio de linguagem e experimentalismo de Van Sant, que aqui alcança o brilhantismo em sua carreira.

3 – Na Cidade de Sylvia

Retoma algumas das idéias básicas do cinema dos Lumière, do valor da observação, só que, mais ainda, amplia o poder da imagem de nos enganar. Lindo filme. Um homem obsecado com uma imagem do passado que teima em enganá-lo no presente.

4 – Miami Vice

Na selva de pedras incandescentes da Miami noturna, Mann filma homens que amam, desesperados em seu trabalho. Daquelas luzes, debaixo ou acima dela alimentam seu trabalho. Miami Vice é um pilar do cinema contemporâneo. A paixão impossível e efêmera,pela qual nosso herói lutou, vai embora no final. Linda, sempre que vai no final está deslumbrante, pois não mais será vista por quem a perde. Um filme humano. Uma obra-prima.

5 – Império dos Sonhos

O mais interessante de Lynch, mais até que Mulholand Drive, pois joga o espectador a compartilhar a aura de sonho desde o começo. Há um fascínio pela figura feminina e sua representatividade, tal como os recentes Tarantinos. Porém, essa porcaria de formato digital vagabundo que o diretor teima em querer usar a partir desse filme é um passo atrás na carreira.

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Mike Dias

1 – Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Talvez Michel Gondry tenha uma mão mais nervosa que o necessário e talvez Brilho Eterno… seja menos bem montado do que poderia, mas a despeito de alguns deslizes é dos roteiros mais inspirados que eu já vi, Winslet e Carrey é dos mais incomuns e sensacionais casais que se tem notícia e isto aqui é uma brilhante mistura de um romance clássico do casal atípico, suas idas e vindas e desencontros com uma pra lá de inventiva máscara de sci-fi.

2 – Oldboy

Seja pelas geniais brincadeiras estéticas (cena de luta com um martelo à lá Street Fighter, oi), pelas reviravoltas orgásticas do roteiro ou pelo simples fato de ser uma das maiores histórias de vingaça já vistas, Oldboy é lindo. Absolutamente bem conduzindo é um desfile de cenas marcantes e inesquecíveis.

3 – O Homem Que Não Estava Lá

Mais um filme dos Irmão Coen que consegue a proeza de mutuamente dissertar sobre uma quantidade realmente grande de medos, neuroses e anseios de um homem geralmente tão ou mais ordinário quanto eu e você. Jogar ets e tragédias no meio de tudo isso é apenas um plus no universo já não fácil daquele sujeito. Tecnicamente irretocável, da ambientação primorosa à fotografia preta e branca, das mais impressionantes da década.

4 – A Viagem de Chihiro

O Walt Disney de olhos puxados e da nossa época, Miyazaki, entrega aqui uma das histórias de fantasia finais, a fábula definitiva, uma enxurrada de sensíveis metáforas que vão desde poluição até o amor pelos entes queridos e o poder deste. Quase que como sua versão de Alice no País das Maravilhas é brilhante e de um valor imensurável.

5 – Gran Torino

Eastwood ataca novamente, classicista e dramatizado como de costume, porém sensível como em poucas vezes. Uma homenagem às qualidades e defeitos do tão conhecido americano veterano de guerra conservador. Com trilha própria e desfecho filosófico e reflexivo é um expoente único daquele cinema proposto por Clint.

 

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Cauli Fernandes e Luiz Carlos Prestes não puderam postar pois estavam juntos fazendo amor.

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