– por Guilherme Bakunin

Cody Jarret é um líder sádico de uma gangue de assaltantes que é constantemente afetado por terríveis dores de cabeças e nutre um amor que beira o doentio a sua mãe. Cody é volúvel, violento e excêntrico como líder. Quando um golpe fracassa e Cody corre o risco de ir para a cadeira elétrica por assassinato, ele resolve confessar um roubo que não cometeu para passar apenas dois ou três anos na prisão. O braço direito de Cody, Big Ed quer tomar seu lugar, e tenta de todas as formas causar um “acidente” enquanto Cody está comandando a gangue na prisão. Mas Cody é socorrido por um policial disfarçado na prisão, que se infiltra no bando de Cody e organiza uma fuga/assalto para conseguir prendê-lo em flagrante. O cenário de White Heat é finalmente montado para que seus cerca de trinta minutos finais possam dar ao espectador uma experiência de ação/suspense plenamente eletrizante, onde dezenas de policiais tornam-se quase que impotentes diante da fúria de um sociopata furioso.

Fúria Sanguinária é dirigido por Raoul Walsh, uma das primeiras grandes personalidades a surgir no cinema americano. Depois de trabalhar como assistente em diversas produção, inclusive com Griffith no seu Nascimento de Uma Nação, Walsh passou a dirigir seus próprios filmes pela Warner Bross., desde o começo especializando-se em histórias de gângsters. Fúria Sanguinária é um dos primeiros filmes de Walsh a serem lembrados, por ser um trhiller de ação com requintes psicológicos, ao estudar o comportamento de um esquizofrênico com complexo de Édipo. A produção é uma das primeiras a fazer esse tipo de menção em Hollywood.

A história, escrita por Virginia Kellog é baseada no caso real da família assaltante de bancos Barker.Walsh e seu grupo de roteiristas transupuseram muito bem essa história para as telas, num filme conciso e de muita consistência. James Cagney, lenda de Hollywood, está perfeito no papel do sociopata, que não é exatamente o vilão nesse filme. Digo, ele é o vilão, mas também é o foco da história, o protagonista. Uma estrutura como essa não possui muitos paralelos no cinema. E o herói e o vilão se reificam num único personagem, tornando evidente que Cody é a causa da sua própria destruição. A cena final, quando Cody está sozinho e cercado de policiais numa ogiva química é magnífica. Constatando que não há saída, Cody atira para todos os lados, até causar uma cadeia de explosões que inevitavelmente o lançará aos ares.  Ele sempre dizia para sua mãe que queria chegar ao topo, e agora, com a morte, finalmente conseguiu. Afinal de contas, a morte é a única cura para a loucura que, pouco a pouco o consumia. A morte como refúgio. Um tema tão recorrente na filmografia de Walsh e que sempre, sempre me comove.

3/5

Ficha Técnica: Fúria Sanguinária (White Heat) – EUA, 1949. Dir. White Heat. Elenco: James Cagney, Virginia Mayo, Edmond O’Brien, Margaret Wycherly, Steve Cochran, John Archer, Wally Cassell, Fred Clark.

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