Luiz Carlos Freitas

Foi esse filme pelo qual, após exibição em sessão especial, o Godard chorou. Tá bom, mentira. Na verdade, foi por causa de Rastros de Ódio (filme quase tão digno quanto), mas foda-se. Godard é o culpado por alguns dos filmes mais chatos da história, então nem pode ser tido lá como uma grande referência, ainda mais quando está em pé de comparação com ninguém menos que Charlie Sheen, o cara mais copante de todos os tempos. Aliás, mais copante que o Charlie Sheen por si só, é o Charlie Sheen imitando Sly (com boquinha torta e mullet até).

Top Gang 2 – A Missão é uma verdadeira copada cinematográfica: escrito e dirigido por Jim Abrahams (Top Secret e Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!), estrelado por Charlie Sheen (sua mono-expressividade é sua maior virtude. Aquela expressão babaca com permanente ar de reflexo-introspecção, meio Stanislavski meio Brecht meio Wando, fazem de sua presença em cena uma verdadeira esfinge) e Mr. Bean (Rowan alguma coisa – não importa, ninguém lembra de outro papel dele, mesmo), com duas gostosonas cujos nomes nem vou fazer questão de lembrar (apenas que são gostosonas) eum Saddan Hussein de peitinhos. Vejam bem, de novo: Saddan Hussein de peitinhos. PEITINHOS! COM MARQUINHA DE SOL E TUDO MAIS!

O filme tem outros trunfos, como referenciar boa parte do mainstream cinematográfico americano das duas décadas que o antecederam, como O Exterminador do Futuro 2, Instinto Selvagem, Apocalypse Now, O Vingador do Futuro, Robocop, a franquia Star Wars e o próprio Top Gun, por meio de um roteiro brilhantemente escrito com uma construção de personagens das mais ricas. As dúbias femme fatales, o protagonista durão de coração partido (Topper Harley – caralho, manolos, que nome genial, puta merda! – é o Rick de Casablanca com uma metralhadora e mullet), o plano de vingança pessoal, a jornada do herói, as balas que nunca acabam e a excelente pontaria dos protagonistas, os tiros à queima-roupa que só pegam no ombro, etc.

Parece exagero, mas em aproximados 90min de filme, vemos uma análise das mais elaboradas já feitas do cinema de gênero, seus personagens e clichês, o que já vinha do filme anterior, Top Gang – Ases Muito Loucos, cujo slogan era “A mãe de todos os filmes!” e que deixou de herança para esse o “A mãe de todas as sequências!” (apesar de conseguir o feito de não ter quase nada a ver com o filme que o antecedeu). E, acima de tudo, sem deixar de ser engraçado em nenhum momento sequer, pois mesmo bebendo da fonte das relativamente manjadas (já à época) comédias pastelão, como os filmes do próprio Abrahams e dos irmãos Zucker, não soam repetitivas ou datadas mesmo nos dias de hoje, com a enxurrada de “filmes” (sic) do tipo, como a série Todo Mundo em Pânico (o primeiro foi engraçado e, vá lá, o segundo tem seus bons momentos) ou a terrível franquia “Alguma-Coisa Movie“.

O fato é que Top Gang 2 é um dos filmes mais geniais já feitos pelo homem. Junto com a pornografia e os cigarros de filtro vermelho, é a prova cabal de que aqueles milhões de anos evoluindo do macaco valeram para alguma coisa. E, ainda por cima, introduziu nos anais do cinema Topper Harley (novamente, caras, que nome foda), uma das figuras mais copantes que se tem notícia, e consolidando a carreira do filho de Charlie. Não por menos, o ator foi agraciado recentemente por seu personagem, em cerimônia especial na sede da UNICEF nas Ilhas de Barr, com a honraria máxima entregue pelo órgão, a Cruz de Santo Pemba por sua incomensurável contribuição à comunidade americana pelos direitos republicanos e das mulheres, dada pelas mãos do próprio Nelson Mandela. Além de tudo, um exemplo de vida. Só perde para Maria de Jesus, de 50 anos, a melhor motorista de Fortaleza, mas isso não vem ao caso aqui.

PS.: Escrevi a crítica mais imbecil e sem propósito e sem coesão textual de toda a história do Cine Cafe. Mas o filme é mesmo obra-prima. Sério.
.

5/5

Top Gang 2 – A Missão (Hot Shots! Part Deux – The Exploitation) – 1993, EUA – Direção: Jim Abrahams – Elenco: Charlie Sheen, Lloyd Bridges,Valeria Golino, Richard Crenna, Brenda Bakke, Miguel Ferrer, Rowan Atkinson, Jerry Halev

Apertem os cintos, o piloto sumiuA
Anúncios