por Bernardo Brum

De início, Minhas Mães e Meu Pai parece, além de mais uma comédia indie (com direito a trilha sonora rebuscada e referências pop), um pretexto para que suas principais atrizes, as reconhecidas e premiadas Julianne Moore e Annette Benning atuem livres e desimpedidas em um filme despretensioso, feito com pouco orçamento, poucas locações e uma história resolvida, basicamente, na base dos diálogos. Mas, entre as piadinhas inspiradas, o filme cresce dramaticamente e o que a desconhecida Lisa Cholodenko (que não filmava há seis anos) nos oferece é um filme, obviamente, menor e pouco ambicioso, mas nem por isso menos sensível ou honesto.

A história de duas mães lésbicas, Jules e Nic (Moore e Benning, respectivamente) que acabam entrando em crise no casamento quando seus jovens filhos querem conhecer Paul,  o doador de esperma – seu pai biológico – encarnado na figura de um galante boa vida por Mark Ruffalo, que acaba por seduzir uma das mães, é contada de forma direta e simples, na lata. Joni e Laser, os filhos, uma CDF introspectiva e um atleta que só anda em más companhias mal sabem as risadas e as lágrimas que os esperam quando conhecem Paul.

O elenco é afiado feito uma faca – são só seis personagens e uns três ou quatro coadjuvantes que, juntos, não somam mais do que quinze minutos em tela – apoiados por uma direção segura que, discutindo uma família moderna e pouco tradicional e todos os problemas que envolvem juventude, como sexualidade, uso de drogas, o primeiro porre, a primeira paixão, a transição entre a infância e a vida adulta, entre escola e faculdade, enfim, nunca de forma preconceituosa. É uma família como qualquer outra, e o tom geral do roteiro transmite isso – pode ser uma família pouco ortodoxa, mas ainda é uma família como qualquer outra, com seus problemas, sofrendo da falta de diálogo, suas preocupações com os filhos, e assim vai.

Objetivo e direto em suas intenções, com alguns diálogos hilários (principalmente vindo de Paul – Ruffalo compôs um sem noção excelente) e arcos dramáticos muito bem resolvidos, Minhas Mães e Meu Pai é um filme gostoso de se assistir. Daqueles que passam bem estar mesmo tendo lá seus momentos dramáticos. Tem suas falhas, é claro, mas o resultado no geral é tão agradável que é difícil condenar o filme por não desenvolver mais ali ou aqui. E afinal de contas, um filme em que os protagonistas cantam Joni Mitchell na mesa de jantar não poderia ser ruim.

4/5

Ficha técnica: Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right) – EUA, 2010. Dir.: Lisa Cholodenko. Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Josh Hutcherson, Yaya DaCosta, Mia Wasikowska, Kunal Sharma, Rebecca Lawrence, Amy Grabow, Eddie Hassell, Joseph Stephens Jr., Joaquín Garrido


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