Chegando ao final de mais um especial que, mesmo com todos  os atrasos de cronograma e períodos de inatividade, podemos considerar um período extremamente satisfatório e saudável pro blog, que junto vários posts de screenshots, conseguiu também mais de mil visitas e uma média de 50 pageviews por crítica e cerca de cento e vinte comentários, só comprovando nossa escolha acertada ao escolher esse diretor que realizou tanto obras alternativas quanto clássicos da televisão aberta, sem nunca deixar de lado a inteligência e o exagero que sempre tornaram seus filmes tão pessoais e universais ao mesmo tempo.

Sem perder mais tempo, aqui vão os tops de Bernardo Brum, Luiz Carlos Freitas e Guilherme Bakunin.

– Equipe

Bernardo Brum

1. O Vingador do Futuro – O poder do cinema (de ação, claro) de reinventar o indivíduo, contestar a ordem estabelecida e desobedecer a si mesmo em prol de algo maior. Tudo isso encoberto por um ritmo frenético e um senso de humor pra lá de doentio.

2. Tropas Estelares – Uma das sátiras definitivas ao militarismo, um irônico filme de propaganda cruzado com climão de filme B que mostra o grande poder de fogo das “sacanagens cinematográficas” de Verhoeven.

3. Louca Paixão – Amoralidade, humor negro e escatologia encontram melodrama e breguice. A maioria dos diretores iria se atrapalhar todo com uma mistura dessas, mas na mão do holandês a obra torna-se uma abordagem impactante sobre arte, existência e finitude.

4. Robocop – Um clássico do cinema com todas as letras, merecidamente um dos luminares do gênero ação, envolvendo críticas à publicidade, televisão, polícia e o mundo dos negócios. Alex Murphy pula de alienado à vítima à algoz. Contra uma tecnologia corrupta, Verhoeven usa o fator humano para combater.

5. Soldado de Laranja – Épico de guerra sem grandes frescuras ou moralismos que fizeram o diretor ser visto como um herói em seu próprio país por revelar os absurdos e contradições da Segunda Grande Guerra sem jamais esquecer de construir seu protagonista, que perambula e sobrevive por duas horas e meia numa terra de ambições, frustrações e brutalidade e revela-se, no final das contas, um grande personagem, síntese da fase holandesa do diretor, onde os absurdos cotidianos eram confrontados com o cinema, pura e simplesmente. Filme plenamente consciente de si, de uma forma que quase não se vê mais hoje em dia.
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Guilherme Bakunin

1. Instinto Selvagem – Hitchcock encontra fatalmente Paul Verhoeven num negócio forte, sensual, denso. Cheio de vertentes e antologias, com atuações catárticas que dizem sem dizer e chocam e emocionam através da captura do cineasta.

2. O Quarto Homem – Poderoso, grande.

3. A Espiã – Épico. Revelou não só uma grande atriz mas também o controle preciso do Verhoeven pra contar uma história que não é apenas grande, mas das mais importantes e fundamentais para seu país.

4. O Vingador do Futuro – Legal.

5. Louca Paixão – Romântico, identificável, invejável. Tudo que acontece ali pode facilmente acontecer com qualquer um. Verhoeven reuniu tudo de forma tão romântica, porém, que todos os acontecimentos são produto de uma única mágica: o cinema.
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Luiz Carlos Freitas

1. Louca Paixão – Somos apresentados a um amor demente, exagerado, bizarro e, acima de tudo, auto-destrutivo. Mas, diferente do que a grande maioria faria, Verhoeven não se entrega a julgamentos, não taca pedras; ele mostra essa “louca paixão” como um amor digno tal qualquer outro.

2. O Quarto Homem – Um espetáculo surreal de loucura, demência, confusão, sexo, desejo, morte, fé … Um surto esquizofrênico que reverencia, acima de tudo, o cinema.

3. Robocop – Verhoeven faz uma crítica ferrenha à ‘Sociedade do Espetáculo’ e à tecnologia se sobrepondo ao homem, um dos personagens mais icônicos do cinema e (provavelmente) o filme mais divertido dos 80’s.

4. Instinto Selvagem – Também conhecido como “Alfred Hitchcock perde o cabaço e vira homem” ou “A Maior Cruzada de Pernas do Glorioso Cinema Americano”.

5. Conquista Sangrenta – O período de transição da Idadé Média à Moderna retratado por seus personagens, párias imundos, mentirosos, manipuladores e amorais (mais Paul Verhoeven impossível).

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