por Bernardo Brum

Se dois anos depois, Ferrara exprimiria o choque de luz e trevas do invíduo de onde nasce os pensamentos, as angústias e as perversões em Os Viciosos, aqui em Olhos de Serpente o diretor evoca o espírito de John Cassavetes para romper a tênue linha entre o cinema e a realidade e abrir as portas para o pantanoso terreno do fracasso (O Rei de Nova York e Vício Frenético já nos guiavam até os portões, mas eles nunca tinham tocado nesse ponto específico – a criação).

Do Super-8 à película, das tomadas documentais à encenação fracassada por serem reais em excesso, personagens dão vida a outros, criador e criatura confundem-se e perdem-se na tentação mais óbvia: a paixão. Criaturas engolem criadores em uma abordagem que raramente vemos por aí. Enfim, Ferrara em um dos seus ápices.

5/5

Ficha técnica: Olhos de Serpente (Dangerous Game) – EUA, 1993. Dir.: Abel Ferrara. Elenco: Victor Argo, Harvey Keitel, Madonna, James Russo, Nancy Ferrara, Reilly Murphy

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