por Bernardo Brum

Dono de uma carreira de mais de 50 anos e mais de 30 filmes dirigidos, Eric Rohmer começou a ganhar notoriedade quando ainda fazia parte dos editores da revista Cahiers du Cinemá ao lado de seus companheiros Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol e Jacques Rivette. Um de seus primeiros reconhecimentos críticos foi Le cinema selon Hitchcock, escrito em parceria com Chabrol, livro onde defendia a grande qualidade dos filmes do cineasta inglês (proposta que seria complementada ano depois por François Truffaut no livro de entrevistas Hitchcock/Truffaut) .

Seu primeiro longa-metragem notório foi O Signo do Leão, considerado um dos filmes seminais do movimento Nouvelle Vague. Um dos mais representativos do levante dos autores, dedicou seus filmes ao minimalismo, à construção de diálogos elaborados e procurar fazer filmes fora da ação e do fantástico. Seus filmes procuravam discutir a vida das pessoas medíocres e as pequenas angústias e hipocrisias do dia-a-dia.

Dono de frequência e consistência surpreendentes, a obra de Rohmer, ainda que parecesse menor devido a tratar de temas cotidianos com personagens tão interessantes  quanto qualquer pessoa normal, alcançou imensa relevância e influência através das décadas. Entre seus muitos destaques, estão o ganhador do Leão de Ouro O Raio Verde, os Contos das Quatro Estações, a série Comédias e Provérbios (dentre os quais incluem-se Um Casamento Perfeito e A Mulher do Aviador), e outra série, Os Seis Contos Morais (do qual fazem parte O Joelho de Claire e A Colecionadora), que representam ciclos na carreira do cineasta que discutiam diferentes assuntos de seu interesse, sem nunca sacrificar o norte principal de sua obra: as comédias e as tragédias de quem é comum e mundano.

Rohmer morreu no dia 11 de Janeiro de 2010, aos 89 anos. Seu último filme foi O Amor de Astrée e Celadon, realizado em 2007. É o segundo da formação original da Cahiers a morrer, após François Truffaut.

Por todas as contribuições à sétima arte, Rohmer é mais do que merecedor de uma revisão crítica de sua obra. Enquanto ela não vem, fiquem com os nossos comentários rápidos, rasteiros, mas sempre sinceros.

Descanse em paz, mestre.

Cronograma

12.01 – O Joelho de Claire, por Bernardo Brum

14.01 – O Signo do Leão, por Luiz Carlos Freitas + Pauline na Praia, por Bernardo Brum

15.01 – Charlotte e seu Bife [Curta-metragem], por Bernardo Brum

16.01 – Conto de Inverno, por Bernardo Brum

17.01 – O Raio Verde, por Bernardo Brum

18.01 – Minha Noite com Ela, por Bernardo Brum

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