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– por Guilherme Bakunin

CUIDADO! Spoilers no 5º parágrafo.

CUIDADO! Tudo Pode Dar Certo não é o que parece. Aquela Nova York ensolarada, de parques e praças, que tanto se destaca nas outras manhattans soturnas do Woody Allen não engana: esse é um de seus filmes mais sombrios e pessimistas, principalmente porque o horror da vida parece estar sob esse ambiente alegre e colorido.

Boris Yellnikoff é um velho físico ranziza que se declara como um “gênio” e acredita compreender o mundo de uma maneira que poucas pessoas ou nenhuma compreende. Ele passa seus dias solitário, reclamando da vida e da insignificância dos outros e acaba conhecendo Melodie Saint Ann Celestine, uma garota de 21 (não) anos que saiu de Mississipi ou algo assim para Nova York, fugindo da pressão do lar. Pouco a pouco Boris se encanta, apesar de não declarar, com a ignorância da garota e os dois, por uma incrível “coincidência do universo”, iniciam um impossível relacionamento.

Não acredito que a obra seja autobiográfica. Não mais do que os outros filmes do diretor. Sabemos que Allen está num relacionamento com uma mulher bem mais jovem, mas ele parece ser bem menos absoluto e arrogante que Boris. Ademais, existe aqui um universo completamente diferente ao que estamos acostumados. Boris não anda com a elite intelectual novaiorquina, mas com pessoas simples e gordas, do tipo que acordam e tomam café da manhã num barzinho qualquer próximo de suas casas. Essa volta à gênese (já que Woody Allen É O DIRETOR de Nova York) não parece tão genuína assim.

Agora, falando mesmo sobre o filme, é pessimismo puro. Woody Allen se ajoelha perante às circunstâncias e diz que a chave para a compreensão do mundo e do universo é a ACEITAÇÃO, pois se grande parte da nossa vida é decidida não por nós, mas pela sorte (isso num universo sem Deus, como o de Boris e, porque não, de Allen), tudo o que você pode fazer é abrir os braços e esperar que tenha algo de bom mais pra frente. Isso porque o nome do filme, no Brasil, está ERRADO (e parecem que fazem de propósito, para avacalhar com o diretor). Sim, ERRADO. Não é como se EU ACHASSE que não é legal ou coisa sim, não é como se isso estivesse em debate. O nome do filme está ERRADO. Whatever Works é o espírito de aceitação diante de uma vida vazia, onde o amor não é o ideal, mas o que chega para nós.

SPOILERS: Talvez, Melodie e Boris sejam ideais um para o outro. Talvez Marietta e John sejam um casal perfeito. Talvez John não seja gay. Mas isso é o que veio, e O QUE VIER, ESTÁ DE BOM TAMANHO (esse sim poderia ser um título mais adequado ao filme); FIM DOS SPOILERS.

É um belo filme. Absoluto em suas ideias, frio e pesado. Tem toda a clássica objetividade do Woody Allen, conclusão rápida, quase como se o que importa ali não é como as coisas terminam, mas como a neurose urbana faz com que as circunstâncias levem os personagems àquele ponto. Poderia ser mais ponderado nos diálogos, afinal, Boris é um idiota (só isso; ele é um idiota mesmo), mas é um excelente trabalho do Allen e que serve pra mostrar que ele sempre será o melhor diretor-filósofo da américa.

4/5

Ficha técnica: Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works) – EUA, 2009. Dir. Woody Allen. Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Henry Cavill, Ed Begley Jr., Jessica Hecht, Olek Krupa.

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