seis

– por Guilherme Bakunin

Nova excursão do diretor italiano Mario Bava ao gênero criado pelo próprio, Seis mulheres para o assassino contém elementos característicos da arte giallo e da direção extremamente manipuladora e perigosa do diretor. Em 1963 Mario Bava lançou Olhos Diabólicos (La Ragazza Che Sapeva Troppo), didaticamente reconhecido por ser o primeiro giallo da história. Esse tipo de filme possui a trama central concentrada no “whodunit”, ou seja, alguém comete um crime e a polícia tenta descobrir quem. No entanto, em giallos o assassino geralmente mata em série, tem problemas relacionados a traumas (muitas vezes de infância) e boa quantidade de sexo, sangue e violência. No cinema, ainda é característico do gênero trilhas de áudio não convencionais e certos elementos de óperas nas atuações.

Nesse segundo filme do gênero, o diretor Mario Bava realiza com um de seus trabalhos mais impressionantes em fotografia, um verdadeiro épico do horror. A história é concentrada em uma espécie de casa de modelos. Isabella, uma das alunas, é brutalmente assassinada – em uma das cenas de assassinados mais bonitas da história – e diversas pessoas se envolvem na história durante a investigação. Agora, cinco das principais modelos serão atacadas, uma a uma, pelo misterioso assassino.

A grande qualidade por trás do filme está em como foi estruturado. A câmera de Bava passeia por entre os personagens, muitas vezes vai inclusive até o seu íntimo, mas os despreza, fazendo questão de mostrar o quão dissolutos são. Muitos deles envolvidos em relacionamentos que em questão do assassinato e também pela própria impersistência dos casais, acabam se rompendo. Com esse desdém, o diretor posiciona o âmago do expectador onde deseja e cria o espetáculo. O concerto feroz de assassinatos embalado por música, grito e sangue, este último inclusive tendo representação perpétua por toda a projeção, pois o vermelho é a cor exaltada nos cenários e nas roupas e objetos dos personagens. Além de manipular o expectador na estrutura narrativa, com o auxílio do título original da obra, Bava surpreende ainda mais num dos finais mais chocantes e significativos do gênero giallo.

Seis Mulheres para o Assassino é um filme cruel, que muito mais do que apenas servir como terror impressionista, brinca com a fugacidade do amor e a manipulação e insignificância dos relacionamentos. Fotografia com saturação forte, ambientação antológica e os assassinatos mais exorbitantes que a década de 60 já viu, é uma obra que se destaca dentre os filmes do mestre Bava e que ocupa um dos patamares do terror de toda a história do cinema.

5/5

Ficha técnica: Seis Mulheres para o Assassino (Sei donne per l’assassino) – 1964, Itália. Dir.: Mario Bava. Elenco: Cameron Mitchell, Eva Bartok, Thomas Reiner, Ariana Gorini, Dante DiPaolo, Mary Arden.

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