Depois de 10 dias, 20 textos publicados, mais de 1200 visitas, mais de 100 comentários, chegamos ao final do Especial Carpenter. E para encerrar com chave de ouro, vamos de Top. Cada integrante da Equipe (com exceção do Murilo, que não participou do Especial), teve de escolher os 5 melhores filmes do diretor. Não é tarefa fácil selecionar cinco dentre os muitos filmes excelentes do cara, mas tentamos. E  sintam-se à vontade para se juntar a nós e postarem seus tops nos Comentários também. Aquele abraço.

– Equipe

Guilherme Bakunin

  1. À Beira da Loucura – A apoteose do horror; Lynch e Bava provavelmente estão com inveja até hoje.
  2. Alguém Me Vigia – O suspense pra tv que deixa aquele Encurralado do Spielberg completamente embaraçado. Hitchcock não poderia trabalhar melhor nesse que é seu filme, só que dirigido com muita propriedade pelo Carpenter
  3. Eles Vivem – ETs dominando a terra com mensagens subliminares, me recuso a fazer qualquer comentário
  4. Assalto à 13ª DP – Los Angeles com zumbis modernos, que ao invés de garras e dentes atacam com revólveres mesmo.
  5. Christine – O Carro Assassino – A falta de bagagem me obriga a colocá-lo nesse top, mas pouco realmente se salva nesse filme. Já que é pra falar bem, tem uma boa trilha, o final é bem legal e Christine sufocando a garota dentro do carro extremamente iluminado é uma cena pra guardar na memória.
Cauli Fernandes
  1. A Bruma Assassina – Porque é um simples nevoeiro sendo usado como peça eficiente de suspense, matando e encarcerando pessoas. E dando muito medo.
  2. Christine – O Carro Assassino – Tem um carro assassino e um garoto que enlouquece por ele. Pode parecer tosco, mas as mortes são em alto estilo e a trilha sonora eleva tudo ao quadrado.
  3. À Beira da Loucura – Piração metalinguistica contando a busca de um escritor que some. No meio disso, demônios nojentos e donzelas se contorcendo, prenunciando um apocalipse.
  4. Halloween – A Noite do Terror – Precursor de vários outros assassinos em série que existem por aí. Além do mais, filme inteligentíssimo sobre o mal e a pervesidade, e como somos moldados por eles.
  5. Eles Vivem – Crítica política somada à extraterrestres cidadãos. Bem nonsense, mas cheio de conteúdo.
Lucas Duarte
  1. À Beira da Loucura
  2. A Bruma Assassina
  3. O Enigma do Outro Mundo
  4. Halloween – A Noite do Terror
  5. Eles Vivem
Luiz Carlos Freitas
  1. O Enigma do Outro Mundo – A obra máxima do Carpenter. Um dos filmes mais tensos, aterradores e viscerais já feitos, onde o diretor reúne alguns dos elementos mais fortes de sua filmografia e os trabalha de forma mais seca, direta: um pequeno grupo de indivíduos isolados enfrentando uma força aniquiladora (e de origem desconhecida) de proporções catástróficas a nível mundial; a prevalência do instinto de sobrevivência a qualquer “princípio” ou código de honra (há uma ameça? Fodam-se os amigos! Somos animais e faremos o possível para sobreviver – um “kick out” nessa visão romantizada do herói). Isso tudo aliado ao ápice do hiper-grafismo em sua obra (e não preciso falar do que esse doente construiu em termos de “atmosfera” tendo uma base assolada por uma tempestade de neve no meio do nada, né?).
  2. Halloween – A Noite do Terror – Carpenter nos apresenta ao assassino mais cruel e aterrador do cinema. Ele não tem nenhum trauma de infância, não está interessado em vingança ou dinheiro, não faz piadinhas com suas tripas ou te espera dormir para matar. Ele simplesmente mata. Assim, fácil desse jeito. Ele é uma força que, não sabe-se demoníaca ou psicótica, não tem motivações ou algo que o faça parar. Apenas o mal eterno e absoluto. Myers é o filme, protagonista ou não. E tal qual o final do filme nos deixa bem claro, ele representa o mal: está em todos os lugares, em cada sombra, atrás de cada porta, moita ou armário. O assassino supremo. O slasher definitivo.
  3. Eles Vivem – Anarquismo, subversão, insurgência, transgressão … Por que não dizer simplesmente “John Carpenter”? O diretor sempre carregou um notado vigor em desconstruir todas as instituições e princípios de valores que regem nossa sociedade. Para ele, a sociedade é suja, todos à nossa exceção são sujos e para conseguirmos nos manter “limpos”, irônicamente, devemos nos igualar à sujeira, descer a seu nível. E Eles Vivem é seu trabalho mais anarquista, subversivo, insurgente e transgressor. Ele arregaça a mídia, os pilares do poder, do estado, da família e do caralho a quatro, e fazendo uso para tanto de uma “invasão alienígena” (!?!?!). Só duas coisas são mais fodas que isso: ele consegue nos tornar aquela situação toda extremamente crível (e o faz de um modo divertido pra caralho).
  4. A Bruma Assassina – A obra é como Os Pássaros de Hitchcock: ele pega uma cidade costeira qualquer, e a vira de cabeça pra baixo para desmontar todo o seu passado, seus costumes, tradições com fantasmas, névoa, olhos vermelhos brilhantes e uma crítica impiedosa, mais uma vez, ao seu país, erguido na base do sangue, ódio, medo e preconceito. E só para variar, o filme é outro exercício genial de estilo!
  5. Príncipe das Sombras – Uma das maiores “saladas” de sua filmografia. Temos zumbis, física quântica, possessão demoníaca, tecnologia de ponta e até viagem no tempo. Tudo para tratar (outra salada) da relação de inter-dependência entre fé e ceticismo, ética e transgressão e, mais uma vez, o bem e o mal (ambos absolutos). Tudo isso com uma das melhores construções de atmosfera e algumas das cenas mais assustadoras de sua carreira, além de um final que entra fácil na lista dos mais aterradores do cinema.

Bernardo Brum

  1. O Enigma do Outro Mundo – Simplesmente por fazer o que só grandes filmes conseguem: elevar o que era pra ser apenas “de gênero” à obra-prima.
  2. Eles Vivem – Por remar na maré contrária do cinema político intelectual e transformar a coisa toda em revolta roots, com direito à dedo do meio sendo erguido orgulhosamente para toda a podridão americana.
  3. À Beira da Loucura – Só confirma o que todo mundo já suspeita: John Carpenter é, sem sombra de dúvida, a essência do cinema norte-americano de terror. E aqui ele constrói uma das atmosferas mais sombrias e sinistras já feitas sem titubear.
  4. Halloween – A Noite do Terror – Faço minhas palavras as do LC: É o assassino supremo e o slasher definitivo. O filme simplesmente abriu um capítulo novo no cinema de gênero americano.
  5. A Bruma AssassinaSuspiria + Os Pássaros + Gelo seco + John Carpenter, resultado, filmão.