– por Cauli Fernandes

O filme é tentativas variadas de solidificar e funcionar o suspense por meio de seriadas expressões graves do elenco. Um atrás do outro, os rostos dos atores se mostram ora em choque, ora horrorizados, ora reflexivos, ora absolutamente nada.

Mas vamos à história, antes de avacalhar com ela: em uma tarde ensolarada e alegre de uma cidadezinha dos EUA, uma “sombra” (ou algo assim) desce sobre o município, fazendo desmaiar toda a população (a imagem de todos caídos no chão, sem razão alguma, é um bom susto). Dali a nove meses se verá o resultado desse bizarro dia: crianças paranormais estranhamente parecidas uma com a outra, que nada têm a ver com suas mães, mas que parecem ter vindo do mesmo desconhecido pai.

Pelo menos, a equipe de filmagem sua a camisa para tornar o filme digno, mas nada parece ajudar: a fotografia e a direção de arte estão simplesmente feias, o cabelereiro estava de porre (as crianças parecem lâmpadas fluorescentes) e os efeitos especiais horrendos. E, bem, tem Kirstie Alley e suas caras de má, Christopher Reeve se esforçando, mas não conseguindo muita coisa; Mark Hamill provocando vergonha alheia ao não fazer jus ao seu passado de glória.

E no meio disso tudo está Carpenter, fazendo das tripas coração. O que ele tenta contar? O que ele tenta tirar no meio de tanta coisa ruim? Vejamos: em um lugar feliz, bonito e cheio de gente branca enjoada , chegam crianças com dotes sobrenaturais e com uma indiferença absurda à raça humana. Eles matam e não dão a mínima; querem simplesmente dominar nossa raça e o mundo.

Mas e os humanos nessa história? Tentam domar os inimigos. Os pequenos são postos em sala de aula, para que eles aprendam “humanidade”; quem somos nós para ensinar algo a alguém, principalmente sobre ser humano e bom? Uma multidão é convocada para matá-los, com facas e fogo; o padre tenta atirar na cabeça de um deles, friamente, provavelmente para salvar o “rebanho do Senhor”. Eles querem nos matar e nós queremos matá-los.

Desse jeito, quem está certo? Há tentativas de uma convivência pacífica, mas os pseudo-alienígenas não querem papo; oras, não ouvir o próximo e ser egoísta são duas características mais nossas. Durante o andamento das eras, dezenas de povos já lutaram e morreram contra outras por pedaços de terra. Nada de muito diferente que as crianças estão fazendo.

Esse é A Cidade dos Amaldiçoados, de John Carpenter. Pode parecer bom, mas eu disse: tem a cara de má da Kirstie Alley.

2/5
A Cidade dos Amaldiçoados (Village of the Damned) – 1995, EUA. Dir.: John Carpenter. Elenco: Kirstie Alley, Christopher Reeve, Mark Hamill, Linda Kozlowski.

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