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– por Guilherme Bakunin

Dez anos separam Bob, o Jogador de O Samurai, grande neo-noir de Jean-Pierre Melville. Bob é um famoso jogador de cartas enfrentando problemas financeiros. Pensando ter encontrado a solução, Bob resolve, junto com velhos amigos, assaltar um grande cassino da cidade, como o golpe final na vida de um vigarista recuperado que sempre costumou ter a sorte do seu lado.

No círculo social de Bob estão um garoto chamado Paul, que se apaixona perdidamente em questão de segundos e uma jovem, Anne, que aparentemente não sabe que assaltos milionários a cassinos são, tipo segredo. Dá pra ver aonde isso vai dar. Porém, pudera ser esse vício na estrutura do roteiro o único problema do filme. Na verdade, todo o roteiro é (ou passa a impressão de ser) amador, raramente abre espaço para reflexão, digestão e para o suspense (características que destroem em O Samurai, que é, como já mencionado, posterior em apenas dez anos) e, por fim, tem típicos diálogos minimalistas que incomodam bastante na aurora da nouvelle vague, como:

” – Mesmo? Eu pensei… [pausa de 4 segundos]
– Pensou o que?
– Nada. [fim da cena]”

Sim, fim da cena, juro.

Em razão do péssimo roteiro que Melville tem em mãos, o cineasta faz o que pode tentando condensar a trama ao máximo, trabalhado com imagens até bonitas e sugestivas, que podem dar uma nova face ao filme, com leves inserções de melancolia, busca por um sentido, etc. Se Melville, com esse papo, conseguiu, a repulsa pelo filme me impede de notar, e não será dada nos próximos meses, oportunidade para uma revisão.

Raso em seus personagens e fracassado na tentativa de se criar um bom suspense, Bob o Jogador não é um bom filme, mas ao menos pode se gabar de ter engatilhado o movimento cinematográfico de maior expressão na França e talvez até do mundo, a nouvelle vague.

2/5

Ficha Técnica: Bob, o Jogador (Bob le Flambeur) – 1956, França. Dir: Jean-Pierre Melville. Elenco: Isabelle Corey, Daniel Cauchy, Roger Duchesne, André Garet, Gérard Buhr

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