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– por Guilherme Bakunin

O Gato de Nove Caudas é o segundo filme de Dario Argento, segundo representante da ‘Trilogia dos Animais, criada pelo diretor italiano no começo da sua carreira e que figura agora em sua filmografia como uma espécie de presságio para o que viria ser uma das suas grandes obras e um dos maiores trabalhos realizados para o cinema:  Prelúdio Para Matar. Muito mais do que uma homanagem ao giallo, O Gato de Nove Caudas é um filme genuíno do movimento, que se popularizou de verdade no início dos anos 60 na itália, sendo revitalizado, digamos, com o lançamento de Prelúdio Para Matar em 1974.

O filme começa com Franco Arno, um velho cego e (provavelmente) avô de uma menina chamada Lori, presenciando uma espécie de ato de chantagem dentro de um veículo estácionado. Aficcionado por mistérios, Arno fica com aquilo na cabeça, até o dia seguinte, em que uma importante empresa de genética é violada e até o próximo dia, em que um homem da empresa é assassinado. Ligando os acontecimentos, Arno desconfia que tudo se trata de um só plot, e com a colaboração de Giordani, um importante jornalista da cidade, ele procura desvendar os crimes.

Interessante o apreço claro de Argento pelo mestre Hitchcock, já que O Gato de Nove Caudas tem uma trama bem bolada, com um recurso evidentemente extraído de Psicose, a troca de protagonistas. Só que a troca é orquestrada por Argento de um jeito bem mais sutil, quase sendo impossível perceber-se. Além dessa já presente característica hitchcockiana, o filme possui um visual esmerado. Fotografia brilhantemente dirigida, ângulos e cortes impressionantes e close-ups que você nunca verá em nenhum outro filme a não ser um genuíno Dario Argento’s. É claro que ser um verdadeiro filme do Argento vem com todas as suas qualidades, dentre elas, a extrema liberdade criativa. O que para um cara inquestionavelmente doente como o Argento, pode trazer maus momentos, como um romance que não chega a ser desnecessário, mas é com certeza mal desenvolvido e uns diálogos bem ruins de verdade, mas nada que chegue a afetar muito num resultado final que, pra mim, é bastante positivo.

O final não decepciona, é legal e bem criado. Ainda que pudesse ser mais obscuro (poderia ser à Seven, por exemplo, mas não é algo que possa contar como defeito, apenas como possibilidade), agrada bastante pela forma como o Argento filma e constroí o espaço narrativo dentro daquela espécie de “arena de batalha” final. A trilha tem a assinatura do mestre Morricone, e apesar de outros trabalhos do gênio da música italiana com o Argento serem bem ruins (é fato que Argento não é sempre um cara que trabalha bem com música, vide os metais em alguns de seus filmes oitentistas), aqui ela funciona muito bem e aparece nos momentos exatos. O Gato de Nove Caudas foi pra mim, num primeiro momento, o melhor dos três filmes da trilogia.

4/5

Ficha Técnica: O Gato de Nove Caudas (Il Gatto a Nove Code) – 1971, Itália. Dir: Dario Argento. Elenco: Karl Malden, James Franciscus, Catherine Spaak, Cinzia de Carolis.

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