oxbow

-por Murilo C. Ceccone

É impossível fazer uma lista de melhores filmes de todos os tempos. O máximo que se pode fazer é uma lista com os melhores filme que você já viu até o presente momento, pois cada vez que entramos em contato com uma obra-prima como Consciências Mortas, pensamos “como eu não vi esse filme antes?”. Foi exatamente essa a minha reação ao término dos 75 minutos de filme.

Consciências Mortas pode ser considerado uma espécie de faroeste psicológico, na mesma linha de Matar ou Morrer , em que a tensão crescente e o clima são mais importantes que cenas de tiroteio. O filme tem início com dois homens (Henry Fonda e Harry Morgan) que, ao passarem por uma cidade, ouvem a notícia de que um fazendeiro foi assassinado e teve seu gado roubado. Parte da população, na ausência do xerife, decide sair à caça dos assassinos para fazer justiça com as próprias mãos.

O filme explora várias questões morais, denunciando a espetacularização da violência, a sede de sangue (disfarçada de sede de justiça), pena de morte, linchamento, direito à defesa, etc. Wellman reúne um elenco perfeito, arranca ótimas atuações, sem excessão, de Henry Fonda a Anthony Quinn, com destaque para Dana Andrews. A bela fotografia de Arthur C. Miller (3 vezes vencedor do Oscar) aliada à direção de arte que mantém a maior parte da ação em um espaço reduzido (vide 12 Homens e Uma Sentença), ao contrário das vastas paisagens típicas do gênero Western (vide Sergio Leone e John Ford), são fundamentais na construção do clima necessário para que o filme funcione.

Uma jóia rara, pouco conhecida, e que merece ser descoberta e apreciada, Consciências Mortas passa a figurar em lugar de destaque na minha lista preferencial.

5/5

Ficha Técnica: Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident) – 1943, EUA. Dir. William A. Wellman. Elenco: Henry Fonda, Dana Andrews, Mary Beth Hughes, Anthony Quinn, William Eythe, Harry Morgan, Jane Darwell, Matt Briggs, Harry Davenport, Frank Conroy, Marc Lawrence, Paul Hurst

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