- por Michael Barbosa

Warrior é um filme sobre basicamente duas coisas: família e exteriorização da violência inerente ao homem, e efetivamente é tudo o que o filme tem a oferecer, diálogos poderosos co as feridas familiares das três protagonistas sendo cutucadas (de cara, na primeira cena, com o pai revendo seu filho após 14 anos e ouvindo um “eu preferia quando você era alcoólatra”) e lutas de MMA incrivelmente bem filmadas, que são várias ao longo do filme, sem miséria; entre essas duas frentes, como trama mesmo temos uma série de acontecimentos absurdos e nada críveis que exigem ao máximo da capacidade de abstração do espectador e que em última análise podem acabar por prejudicar sim a apreciação daqueles dois fatores básicos a se dedicar.

Conhecemos dois irmãos separados pelo destino, filhos do mesmo pai ex-alcoólatra e ausente. O caçula fugiu com a mãe e se tornou um fuzileiro. O segundo ficou com o velho e com a namorada, teve duas filhas, fracassou na sua carreira no UFC e virou professor de física… É tudo bem claro: tem um torneio de mixed martial arts com um prêmio de cinco milhões de dólares em jogo e desde o começo é bastante óbvio que a trama vai se desdobrar para que a tal luta dos irmãos seja o clímax do filme, nesse percurso veremos uma série realmente grande de eventos realmente improváveis acontecendo para que se torne possível o encadeamento desejado, vai ser neguinho quebrando a perna correndo, vídeos virando virais no Youtube, técnicos de academia de bairro super influentes e por ai vai.

 E assim hora ou outra teremos esses diálogos muito bons, esses daddy issues que moldam o caráter do homem, o diretor Gavin O’Connor acaba dialogando constantemente sobre a vontade de ser perdoado de um, a incapacidade de perdoar do outro. É sobre o quanto marcas podem ser profundas. Tommy, o que fugiu com a mãe não consegue perdoar nem o pai nem o irmão e acaba tendo que exteriorizar sua raiva nos ringues ainda que se convença constantemente que existe motivos muito nobres por trás de suas lutas. Brendan, o irmão mais velho, não faz muito diferente, na superfície precisa pagar a hipoteca da casa, mas tanto quanto o irmão o tesão pela luta está ali, sempre esteve. Paddy, o pai, não parece de todo consternado com a ideia dos filhos se digladiando e trocando socos e chutes, assustador, pois.

A outra frente são as lutas em si, O’Connor se mostra um diretor com um domínio bem grande disso de filmar dois atores se espancando, digno dos melhores momentos dessas lutas esportivas no cinema, seja em Rocky, Touro Indomável, Ali, Punhos de Campeão, Luzes da Cidade (hehehe) ou onde quer que seja que elas aconteceram. Fica a curiosidade de ver o vale-tudo, esse esporte sensação dos últimos anos agora substituindo o que era lugar cativo do boxe. Talvez a constatação mais valiosa esteja no fato de que em todas lutas do filme, tirando a última talvez, o vencedor parece potencialmente óbvio, mas elas funcionam, a tensão é segurada completamente aparte do quão manjado seja quem vai vencer, ou mais, tem que vencer. E assim a luta contra o russo (sim! Tem uma luta contra o russo, com direito até a vestimenta vermelha com [e se registre aqui minha alegria em usar isso num texto]) se torna um exercício de cinema absolutamente fantástico: edição frenética, jogo de luz e câmera e muita porrada bem filmada, tudo culminando com o clímax com o russo “batendo” para a derrota. De assistir de pé, de verdade. É tipo O Último Dragão Branco para ver depois de crescido, sobre MMA, com personagens bem mais complexas e sem o Van Damme.

A quem for bem sucedido na árdua tarefa de abstração vai ficar essas lutas incríveis, esses três atores pra lá de inspirados e esse drama familiar vigoroso, sobre pais bêbados se recuperando e ouvindo a Bíblia e recaindo, filhos subjugando esse esforço com um gosto amargo na boca e palavras duras, Tom dizendo que escolheu o pai para treinador porque um demônio que você conhece é melhor que um que desconhece. Essas coisas familiares tão complicadas e sem solução.

3/5

Ficha Técnica: Guerreiro (Warrior) – EUA, 2011. Dir: Gavin O’Connor. Elenco: Joel Edgerton, Tom Hardy, Jennifer Morrison, Nick Nolte, Noah Emmerich, Bryan Callen,Kevin Dunn, Denzel Whitaker, Kurt Angle

Equipe do Cine Cafe

Melhor filme

Cavalo de Guerra, de Steven Spielberg
O Artista, de Michel Hazanavicious – por Guilherme Bakunin [2/5]
O Homem que Mudou o Jogo, de Bennett Miller – por Guilherme Bakunin [3/5]
Os Descendentes, de Alexander Payne - por Allan Kardec Pereira [1/5]
Árvore da Vida, de Terence Malick – por Allan Kardec Pereira [4,5/5]
Meia-Noite em Paris, de Woody Allen – por Guilherme Bakunin [3/5]
Histórias Cruzadas, de Tate Taylor – por Guilherme Bakunin [1/5]
A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese – por Allan Kardec Pereira [5/5]
Tão Forte e Tão Perto, de Stephen Daldry

 Melhor ator

Demián Bichir, por A Better Life
George Clooney, por Os Descendentes - por Allan Kardec Pereira [1/5]
Jean Dujardin, por O Artista - por Guilherme Bakunin [2/5]
Gary Oldman, por O Espião que Sabia Demais - por Bernardo Brum [4/5]
Brad Pitt, por O Homem que Mudou o Jogo - por Guilherme Bakunin [3/5]

Melhor atriz

Glenn Close, por Albert Nobbs - por Guilherme Bakunin [2/5]
Viola Davis, por Histórias Cruzadas - por Guilherme Bakunin [1/5]
Rooney Mara, por Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Maryl Streep, por A Dama de Ferro
Michelle Williams, por Sete Dias com Marilyn

Melhor ator coadjuvante

Kenneth Branagh, por Sete Dias com Marilyn
Jonah Hill, por O Homem que Mudou o Jogo - por Guilherme Bakunin [3/5]
Nick Nolte, por Warrior - por Mike Dias [3/5]
Max von Sydow, por Tão Forte e Tão Perto
Chrisopher Plummer, por Beginners

Melhor atriz coadjuvante

Octavia Spencer, por Histórias Cruzadas - por Guilherme Bakunin [1/5]
Bérénice Bejo, por O Artista - por Guilherme Bakunin [2/5]
Jessica Chastain, por Histórias Cruzadas - por Guilherme Bakunin [1/5]
Janet McTeer, por Albert Nobbs - por Guilherme Bakunin [2/5]
Melissa McCarthy, por Missão Madrinha de Casamento - por Guilherme Bakunin [2/5]

Melhor roteiro original

O Artista, de Michel Hazanavicious - por Guilherme Bakunin [2/5]
Missão Madrinha de Casamento, de Annie Mumolo – por Guilherme Bakunin [2/5]
Margin Call, de JC Chandor – por Guilherme Bakunin [3/5]
Meia-Noite em Paris, de Woody Allen - por Guilherme Bakunin [3/5]
A Separação, de Asghar Farhadi – por Mike Dias [5/5]

Melhor roteiro adaptado

Os Descendentes, de Nat Faxon e Jim Rash - por Allan Kardec Pereira [1/5]
A Invenção de Hugo Cabret, de Josh Logan – por Allan Kardec Pereira [5/5]
Tudo Pelo Poder, de Grant Heslov e Beau Willimon - por Guilherme Bakunin [4/5]
O Homem que Mudou o Jogo, de S. Zaillian e A. Sorkin – por Guilherme Bakunin [3/5]
O Espião que Sabia Demais, de O’Connor e Straughan – por Bernardo Brum [4/5]

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A lista ainda está incompleta, mas até o final de fevereiro esperamos completá-la (inclusive, daqui a um tempo, com os indicados ao Melhor Filme de Língua Estrangeira, cujos downloads devem demorar um pouco mais para sair). Ainda em relação aos Oscars, nós temos preparado um outro especial, pra cobrir de forma panorâmica todos os 84 anos da premiação. As coisas estão meio difusas, ainda, mas certamente vai acontecer, em breve. Vocês são obviamente bem vindos com sugestões e opiniões, tanto a respeito de qualquer especial, quanto a respeito dos filmes que compõe a premiação do Oscar desse ano, ou a premiação de um modo geral.

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