
- por Allan Kardec Pereira
Os americanos adoram uma lição de moral familiar. Isso é um elemento forte nas narrativas hollywoodianas, desde o cinema clássico. Sempre a relação conflituosa entre pais e filhos. Na maioria das vezes a harmonia familiar que se fortalece diante das adversidades. Qualquer referência a um cenário econômico e político nada animador, nunca é mera coincidência. Isso vem desde, sei lá, Capra?
The Descendants, novo filme de Alexander Payne, que venceu o Globo desse ano, é mais um filme que nessa América pós-11 de Setembro, reforça esse filão moralista barato. Tal como “Amor sem Escalas”, Clooney interpreta um “homem sensibilizado”, distante do herói imbatível, que parece carregar todo esse mal estar da atual classe média americana, todas essas dúvidas. Dialoga, portanto, com o o estilo de filmes que o Oscar adora premiar. Atuações espalhafatosas com choros, gritos, esculhambações familiares, tudo bem ao gosto de “Crash – No Limite”. No fundo, uma mensagem rasteira de otimismo pregando a união familiar em tempos de crise – no caso do filme, Clooney interpreta um rico proprietário de terras do Havaí, chamado Matt King, que está com sua mulher em estado terminal e saí em busca do amante da mesma ao lado das filhas, buscando se aproximar destas.
O problema, contudo, não reside nem no moralismo. O azar de “Os Descendentes” é ele ser um legítimo filme ruim, muito ruim. Tanto no que concerne às atuações (as premiações americanas sempre tentam me desmentir, mas fazer o que?), como também com a trilha sonora intrusa, quanto nas segundas intenções do filme: afinal, nas entrelinhas, o filme parece ter sido encomendado pelo ministério do Turismo tentando divulgar as belíssimas praias do Havaí, afinal, divulgar as belezas naturais de casa é um bom caminho em tempos de crise. Muitas cenas são de uma falta de necessidade tão grande, que parecem servir apenas pra dar um passeio pelo lugar.
É um filmeco, enfim. Depois da catarse, tem aquele final bonitinho e pra cima que o público americano adora. Tem a valorização de preceitos morais, como o apego à suas propriedades (em detrimento da especulação imobiliária, a mensagem foi claríssima), a união familiar. Geralmente isso resulta em filmes ruins, nesse caso, o resultado me parece ser ainda pior, já que o filme parece ser “arrastado” demais pra o padrão fácil do grande público, tem horas que parece até aqueles filmes do Sundance que crescem durante a temporada de premiação e acabam abocanhando alguma coisa (quiçá algumas atuações, roteiro etc), mas não. A forma como Payne trabalha seu filme não acrescenta nada de interessante ao cinema atual. É um cinema fácil, um filme rasteiro, sem muitas possibilidades, sem vôos maiores. Um tipo frequente no cinema americano, e isso é que é o pior.
2/5
Ficha Técnica: Os Descendentes (The Descendants) Estados Unidos, 2011. Direção: Alexander Payne. Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Mattew Lillard, Judy Greer.
27 27UTC janeiro 27UTC 2012 at 2:04
Concordo que o filme não alça “voos maiores”,ams discordo de praticamente tudo.
Acredito que a beleza do filme esta justamente em sua simplicidade e falta de ambição,sendo apenas o que se propõe ser:uma história familiar.
E vejo que provavelmente você o odiou,mais pelo fatod e ter “enxergado” economia de mais nas entrelinhas do que ver o filme em si.
Tem bons personagens,muito americanos,sim,mas “what the hell?”,o filme é americano e se passa no Hawaí.Daí todas as cenas são necessárias (ainda estou me perguntando da onde você tirou que tem cenas apenas exibicionistas),sendo que todas contribuem para a boa fluencia da trama sem nucna estacionar ou andar pra trás.
O conflito familiar gerado por culpa da mãe causa consequencias muito maiores que os lugares comuns que esse “tipo” de filme costuma ter,trazendo momentos distintos da maioria dos filmes,e que são consequencia do estilo de Payne. (isso é em relação as caretas e montes de choro que você viu)
E sim,o filme alterna entre lágrimas e sorrisos numa trilha 100% hawaiana,que pode ate chatiar alguns,mas que não vejo onde atrapalha o andamento do filme,pelo contrario,ajuda a manter a belissima mise-en-scene criada por Payne,que praticamente nos leva ao Hawai.E pode parecer sim uma propaganda turistica,mas sei que você sabe que tem muito mais ali.
27 27UTC janeiro 27UTC 2012 at 12:19
A crítica está fraca, parece que você foi ver o filme já querendo rebaixá-lo… Sim, o filme tem mensagens sobre a família, a união e o auto-descobrimento, só que tudo é mostrado de uma forma real, simpática, inteligente, de moralismo quase apagado e com verdadeiras intenções de reflexão, apesar da “simplicidade”…
Enfim, é o melhor e mais adulto filme do Payne, o que significa muito.
27 27UTC janeiro 27UTC 2012 at 19:10
chegará o dia em que todos sentirão tanta preguiça de filmes de oscar quanto eu
20 20UTC fevereiro 20UTC 2012 at 13:10
aqui estamos.
28 28UTC janeiro 28UTC 2012 at 3:39
cresce a fama do cine cafe: um blog de editores cults, contrários ao cinemão e que normalmente descem o pau no Oscar e cia. hehehehe
28 28UTC janeiro 28UTC 2012 at 12:32
mas deveria ser obrigação de todo crítico ser contra 90% de tudo o que chamam de cinemão
29 29UTC janeiro 29UTC 2012 at 22:02
É, Kardecão, infelizmente vou ficar contra você nessa, hahaha. O filme é bem bonito, super imersivo e bem desado. História contada com maestria mesmo. Não é uma história muito sensacional, sequer muito interessante, mas acho que o Payne fez o que pôde. Sideways é melhor. Clooney é incomparável.
30 30UTC janeiro 30UTC 2012 at 0:37
Achei esse melhor que Sideways e Schimith.E concordo com tu nessa…mas n concordo com a ideia do outro alid e que o Kardec foi ber o filme so rpa rebaixa-lo,quem faz isso é idiota,e acho q o Alan n esta nesse grupo ai não
29 29UTC janeiro 29UTC 2012 at 22:03
*bem dosado
31 31UTC janeiro 31UTC 2012 at 7:03
To nem aí para o Oscar, quero que se dane. Não assisto 90% dos filmes geralmente “queridinhos” pela Academia. Sinto preguiça desse tipo de filme também. Ignoro o Oscar na mesma proporção que eles ignoram alguns grandes diretores e obras verdadeiramente autorais.
Mas em fim, tomara que o Scorsese ou o Woody Allen ganhem alguma coisa pelo menos. Pra compensar outras inumeras vezes em que mereciam e foram ignorados.
7 07UTC fevereiro 07UTC 2012 at 11:34
Sou a única pessoa que concorda contigo??
Saí do cinema falando o mesmo que tu!
Como é triste que as pessoas nao saibam ver um pouco além!