
Por Allan Kardec Pereira
Drive sucinta questões interessantes sobre o cinema atual, especialmente aquelas que dizem respeito aos gêneros cinematográficos e o uso de referências visuais e/ou estilísticas, a aplicabilidade de efeitos especiais como prática de um tal cinema-entertainment. Sendo assim, o filme parece conceber diversas citações de forma inteligente a outras filmografias, extraindo valores cinematográficos (e humanos, porque não?) delas, na construção de um personagem que já nasce como um mito. Afinal, para além de todo o silêncio à Alain Delon em “O Samurai”, de Mellvile, “The Driver”, nosso personagem sem nome, é um herói pleno.
A trilha sonora de Angelo Badalamenti (que vem de uma profícua parceria com David Lynch, sendo uma das bases, podemos dizer, da carreira do diretor nova-iorquino), exalta um synthpop que parece dialogar perfeitamente com a impenetrabilidade do personagem principal. E, nesse sentido, o filme vai pensar o visual daquele cinema-físico (por excelência), policial de 75-85, como uma referência das mais diretas. É na selva de pedras, na solidão noturna das cidades que trabalha “The Drive”. Assim, o filme faz referência a um dos grandes cineastas (poetas da violência?): Michael Mann. A tríade trabalho-amor-dinheiro é um cerne da filmografia de Mann, como uma imagem fantasmagória de uma cidade cheia de luzes neon que aprisiona seus homens. Os heróis de Mann, assim como o de Refn, “faz o que é necessário, o que deve ser feito”.
Drive conta a história de um mecânico (Ryan Gosling) mas que de noite trabalha como piloto de automóveis, financiado pela máfia. Depois que um dos assaltos dá errado , passa a desconfiar de que foi traído, saindo assim em busca nãode vingança, mas do que é correto, acima de tudo, se pensarmos o quanto o não fazer isso pode colocar em risco a mulher, Irene (Carey Mulligan) que ele ama. De um início onde somos calmamente apresentados à personalidade do nosso herói sem nome à uma segunda parte em que a violência de uma gangue truculenta leva The Drive não necessariamente a revelar-se um monstro, como muitos supuseram, afinal, estava ele fazendo o necessário, atuando conforme o roteiro tal como o mundo lhe induzia.
The Drive se afasta dos heróis brucutus sobre-humanos do cinemão recente. Sua personalidade misteriosa, sua capacidade naquilo que faz nos leva a uma empatia direta. É, acima de tudo, um herói da virtude. Passeamos com ele a cada reta de Los Angeles, e, o mais importante, em uma história tão evidentemente humana, Refn consegue imprimir uma assinatura ao mesmo tempo que presta referência a todo um estilo de cinema, sua moral, suas concepções visuais, seus heróis. Não à toda, pode-se considerá-lo dos melhor filmes desse ano, até agora.
5/5
Ficha-técnica: Drive (Drive) – Estados Unidos, 2011. Dir.: Nicolas Winding Refn. Elenco: Ryan Gosling, Carrey Mulligan, Ron Perlman, Albert Brooks.
22 22UTC outubro 22UTC 2011 at 20:37
eu só vi agora que tinha saído texto pra Drive. um filme do caralho, o michael mann chegou a postar no facebook reconhecendo como digna a homenagem e dizendo que é, realmente, um grande filme.
23 23UTC outubro 23UTC 2011 at 14:09
Estou com ele aqui e parece ser foda mesmo. Têm pessoas que estão falando mal dele por isso ou aquilo (papo de ”não é nada, como cinema…”), mas acho que estão equivocados.
23 23UTC outubro 23UTC 2011 at 20:06
eu não sei o que isso significa. “não é nada, como cinema”? é alguma coisa como alguma coisa então? é um filme estruturamente clássico, mas bem silencioso, emblemático, estiloso.
eu não conheço os outros filmes do refn (ele veio de uma trilogia de ação que dizem ser interessante, pusher), mas esse drive é realmente um samurai meets mann, mas não recebo isso como crítica.
24 24UTC outubro 24UTC 2011 at 22:31
Eu vejo o filme como uma leitura ousada de referências muitas vezes esquecidas. Não é um filme intelectual no sentido pleno, mas é um filme riquíssimo em força dramática. Com um personagem fascinante. Já pensou qual seria a motivação (ou a falta dela) pra violência dele? etc.
Me agradou demais, especialmente por ser a visão de alguém de fora sobre hollywood.
12 12UTC novembro 12UTC 2011 at 1:10
O filme é sensacional!
17 17UTC novembro 17UTC 2011 at 15:27
Um filme muito agradável que, admito, tenho que rever.
Meu texto para ele: http://pudimdecinema.wordpress.com/2011/11/17/drive-2011-critica/
Ps: O blog vai parar o trabalho por aqui?!
18 18UTC novembro 18UTC 2011 at 20:17
vai parar não. eu juro que assim que eu entrar de férias eu volto a escrever. huahauhauhau