
- por Guilherme Bakunin
Laura é um filme completo sobre um estereótipo noir. Tem lá suas grandes subversões, já que Laura não possui grande apelo sexual, mas ideológico. Na atitude, ela é, sim, plenamente a femme fatale, obstinada, séria, indiferente, decidida. Não é por outro motivo que o filme comece e termine com o retrato da mulher: Preminger quer retratar a mulher daqueles anos, que dá os primeiros e mais decididos passos para a plena emancipação feminina, e cuja simples existência é capaz de arrebatar homens, tramas, crimes e sucesso.
Otto Preminger trabalha com uma espécie de reafirmação do noir, ao dirigir um trabalho que coloca tanto em evidência a figura fatal feminina. Aqui, o cineasta sacrifica um certo realismo para dosar a emblemática Laura com magia, mistério. Laura é quase como uma sereia, jovem, bela, inocente, mas que possui uma aura enigmática que atraí fatalmente todas as pessoas, de corpo e alma, a seu redor. Não é, nem por um segundo, real o fascínio que a simples imagem de Laura exerce sobre os homens e sobre o ambiente. É como se Preminger colocasse aquele quadro ali como forma de simbolizar um portal para uma dimensão além, onde há apenas as mais poderosas e surreais jovens mulheres.
A maleabilidade narrativa é notável. Em menos de 90 minutos, há vários e inteligentes twists, distorções temporais, flashbacks, investigação incessante que retrata o anti-herói característico do noir como mero coadjuvante da beleza estupefata de Laura; homem miserável, ríspido e solitário, que só é capaz de simplesmente existir como protagonista a partir do momento em que cede completamente às graças da jovem.
4/5
Ficha técnica: Laura – 1944, EUA. Dir.: Otto Preminger. Elenco: Gene Tierney, Dana Andrews, Clifton Webb, Vincent Price, Judith Anderson.
9 de dezembro de 2009 at 14:23
ainda bem que o filme não era sobre o velinho. insuportável pra caramba.
9 de dezembro de 2009 at 14:29
não dá pra deixar de dizer: um dos momentos mais macabros do cinema é quando aparece a supostamente morta Laura.
9 de dezembro de 2009 at 15:25
sim. aquela deve ser a melhor cena do filme
9 de dezembro de 2009 at 18:36
Obra-prima ferrada! Aumenta essa nota, lek!!!!11
12 de dezembro de 2009 at 7:38
Adoro esta comédia, recentemente gravei do telecine, e dei boas risadas.
12 de dezembro de 2009 at 7:39
Esta resposta dei para “Esta Pequena é uma Parada” com a Barbra. e não para Laura, me desculpe,mas publicaram, errado.
11 de agosto de 2010 at 9:12
[...] que apenas um representante do estilo, mas um dos primeiros exemplares e que, ao lado de obras como Laura (Otto Preminger) Sombra de Uma Dúvida (Alfred Hitchcock), O Falcão Maltês (John Huston) e Pacto [...]