
- por Guilherme Bakunin
Desde os anos 50, cineastas têm trabalhado para atingir a apoteose no que diz respeito a criação de atmosfera dentro de um filme. Muitos ousaram durante as décadas, transgrediram e estudaram o tema e suas implicações, entre os quais se destacam Mario Bava, Roman Polanski, Lucio Fulci e muitos outros. Os trabalhos desses cineastas possibilitaram que, nos anos 90, John Carpenter criasse À Beira da Loucura, um terror atmosférico-psicológico, trabalhado com extrema dedicação e que rapidamente se tornou para muitos, o maior filme desse cineasta.
John Trant é levado para um sanatório, aos próprios gritos de ‘não sou louco’. Algumas horas depois naquele dia, um doutor, na busca pela explicação de Trent, questina o porque dele estar ali. É então que o filme começa e que podemos acompanhar, através do olhar de alguém que está supostamente louco, a imersão deste mesmo alguém à loucura.
A história pouco a pouco cede ao horror absoluto, não só porque trabalha num universo estritamente particular, criado e elaborado por De Luca (escritor) e Carpenter, mas principalmente porque põe em cheque a existência, dilacera todos os fundamentos do real, e faz com que ambos, personagem e espectador, decaiam no abismo do desconhecido, do intocável. É através da abstração do medo que Carpenter trabalha com a atmosfera dentro do seu filme, pois, ainda que poucas cenas se abram com crueza no horror escatológico de suas criaturas e criações (humanos transformados, por exemplo), é muito mais na edição, nas luzes, nos cenários, na sugestão e no som que reside o terror dentro da obra.
É provavelmente por esse motivo que À Beira da Loucura é o que é. Não cabe aqui a compreensão – pelo menos convencional, das coisas -, nem as palavras. O filme deve ser assistido e sentido. É abstrato, é experimental, é genial. Metalinguagem com absoluta falta de lógica, existência suspeite, nada é realmente o que parece e nada é o que não é. Todo mundo está na boca da loucura, criatura colossal e nociva, e cederemos a ela, por pelo menos curtíssimos noventa minutos.
Como é impossível fugir dos superlativismos da êxtase, À Beira da Loucura é o melhor trabalho de John Carpenter, o melhor horror dos anos 90 e com certeza um dos trabalhos mais bem realizados daquela década. Uma perfeita e irretocável não-adaptação-inspirada em Stephen King.
5/5
Ficha Técnica: À Beira da Loucura (In The Mouth Of Madness) – 1994, EUA. Dir.: John Carpenter. Elenco: Sam Neill, Julie Carmen, David Warner, Jürgen Prochnow
10 10UTC outubro 10UTC 2009 at 21:53
[...] À Beira da Loucura - A apoteose do horror; Lynch e Bava provavelmente estão com inveja até hoje. [...]
24 24UTC novembro 24UTC 2009 at 1:06
melhor trabalho do sam neil, melhor da julie carmem(a gostosinha vampira da hora do espanto II) e o mais foda do john carpenter..ehhhh o cara meteu bronca só q dpois foram louvar o sexto sentido como terror da decada e po, qdo se fala em hospicio e inspiraçao pra filmes com doidos, n penso nO estranho no ninho, penso nesse q rompe com td…e é uma experiencia fodona num nivel q até pela atmosfera q vc disse q tds tentaram e tentaram atingir , por isso o filme pra mim, nesse quesito, estouraria o conatdor pra 6stars!
24 24UTC novembro 24UTC 2009 at 8:29
aham. se a gente for ficar no terror e suspense da década de 90, esse ganha tranquilo, pelo menos dos que eu vi. engraçado que é um filme relativamente pouco conhecido, eu mesmo tinha ouvido muito pouco antes de assistir pro especial… ah, se alguém tivesse me avisado antes que era um dos melhores filmes do mundo…
14 14UTC dezembro 14UTC 2009 at 14:48
[...] 9: À Beira da Loucura, por Guilherme Bakunin + Fantasmas de Marte, por Lucas [...]
30 30UTC janeiro 30UTC 2010 at 23:41
aí cara, só falta tu escrever sobre O Iluminado agora. já escreveu sobre body double e esse aqui, que pra mim são 3 dos suspense/terror mais foda que existe! e body double tb é beeeeeem pouco conhecido e O Iluminado só ficou conhecido depois que o sbt passou, esse terrorzão que ficou 25 anos inédito na tv. um recorde! po, vou ter q rever a obra-prima do carpenter já! aproveitar o verão e me esbaldar nessas pérolas…tds mto rock’n'roll
12 12UTC julho 12UTC 2010 at 13:41
A cena final é incrível! Corredores sempre renderam boas cenas de horror
7 07UTC dezembro 07UTC 2010 at 15:35
quando o A Beira Da Loucura passou nos cinemas de Manaus, passou meio batido, só fui assistir quando saiu em VHS(abença avô!)
de fato é um filme angustiante em seus minutos finais. Agora pra ser sincero, prefiro mil vezes o Iluminado minisérie do que o longa do Kubrick. A versão televisiva causa muito mais sustos e por terem mais tempo não condicionam o livro.
7 07UTC dezembro 07UTC 2010 at 19:10
mas a diferença mora no fato que o filme do Kubrick É assutador. o livro e a série do King só causam medo se a pessoa for muito impressionável.
7 07UTC dezembro 07UTC 2010 at 19:56
minha memória é fraquíssima, mas não lembro de ter sentido muito medo no filme do Kubrick… mas considero Iluminado o melhor filme dele por motivos puramente estéticos
8 08UTC dezembro 08UTC 2010 at 0:17
é sempre assim, ninguém nunca admite que se cagou na calça
8 08UTC dezembro 08UTC 2010 at 1:10
o que isso quer dizer? foi alguma coisa que eu falei no texto ou sei lá, na minha vida?
8 08UTC dezembro 08UTC 2010 at 10:29
VOCÊ MORREU DE EDO ASSISTINDO O ILUMINADO, SEU FRANGUINHO
9 09UTC dezembro 09UTC 2010 at 19:46
acho que pensando melhor, eu tava errado. fiquei com medo mesmo, to lembrando do dia aqui, mal dormi (foi mais ou menos a msm época que vi Suspiria, olha que ano lindo eu tive)
14 14UTC janeiro 14UTC 2012 at 21:49
[...] Longe dos cinemas desde Fantasmas de Marte (2001), Carpenter retornou em 2010 com Aterrorizada, terror de sub-gênero manicômio (filmes de suspense ou horror que tocam em questões como loucura e instituições de tratamento psicológico são bastante recorrentes, como exemplos Paixões que Alucinam, Ilha do Medo ou do próprio Carpenter, À Beira da Loucura). [...]